Meus Pitacos


O Rio de Janeiro continua lindo

Foto: Tasso Marcelo / AE

 

A melhor notícia deste domingo de eleições municipais em todo o Brasil vem da mais bela de nossas cidades. O recado do povo do Rio de Janeiro, expresso nas urnas, foi claro: já era mesmo passada a hora de o debate político na Cidade Maravilhosa se qualificar substancialmente e deixar de lado os velhos caciques ou os fanáticos de seitas religiosas. O segundo turno entre Eduardo Paes e Fernando Gabeira (principalmente por conta deste último, é claro) é dessas coisas que merecem muito mais do que uma simples comemoração.

 

Há duas semanas, talvez nem isso, não eram poucos os que diziam que Gabeira era carta fora do baralho no jogo da sucessão na capital fluminense. O histórico recente do eleitorado carioca – que elegeu e reelegeu César Maia em 2000 e 2004 – permitia mesmo que se duvidasse do poder de reação do candidato do PV. Até as pesquisas, notadamente o controverso Ibope de Carlos Augusto Montenegro, sugeriam que a disputa final fosse mesmo entre Paes e o famigerado bispo Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus – o candidato de Edir Macedo e de Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Pois o que se viu neste domingo histórico na Guanabara foi o renascimento da esperança de que o bom e velho Rio dos nossos sonhos pode, enfim, se transformar em realidade muito em breve. Fernando Gabeira, um candidato a prefeito que poderia muito bem ocupar a Presidência da República, deixou o bispo no chão e chegou ao segundo turno assustando o PMDB do governador Sérgio Cabral, “guru” de Paes.

 

Independentemente do que venha a acontecer no dia 26 de outubro – e não há dúvidas de que será um páreo muitíssimo duro para Gabeira, já que, além de Cabral, provavelmente o próprio Lula deve apoiar o candidato do PMDB –, o Rio de Janeiro ressurgiu das cinzas nas eleições municipais. Imaginar que César Maia será sucedido por Eduardo Paes ou Fernando Gabeira já é uma notícia alentadora.

 

O peemedebista, ex-tucano, foi um dos parlamentares que mais se destacaram na CPI dos Correios (aquela do “mensalão”, em 2005) e, muito por conta disso, não é visto com muita simpatia por Lula, mesmo que eventualmente receba o apoio do presidente. Gabeira, por sua vez, dispensa apresentações, porque consegue reunir o que de melhor existe na política brasileira: a coerência, a ética, a correção, uma biografia notável e a humildade de reconhecer erros e apontar caminhos.

 

O Rio de Janeiro que sairá das urnas certamente será melhor que esse de hoje. Vai ser muito difícil, mas se der Gabeira eu juro que já começo a arrumar minhas malas para a mudança definitiva rumo à Cidade Maravilhosa. Aliás, confesso que, se pudesse, trocaria o meu domicílio eleitoral imediatamente!

 

São Paulo

Se houve alguma surpresa nas eleições paulistanas, certamente não se trata do duelo entre a ex-prefeita Marta Suplicy e o atual, Gilberto Kassab. Talvez a estrondosa reação do candidato do DEM na reta final da campanha – terminando ligeiramente à frente da própria Marta na apuração final do primeiro turno – é que tenha pegado os petistas e os principais institutos de pesquisa meio de surpresa. É, de fato, uma ascensão impressionante: em dois meses, Kassab pulou de 10% para 35% dos votos.

 

A impressão que tenho ao observar o resultado na maior cidade do Brasil é de que há dois grandes vitoriosos e dois grandes perdedores entre os concorrentes nesta primeira etapa. Perderam muito Paulo Maluf, que não passou de 6% dos votos válidos (virou um nanico político, inexpressivo em seu antigo reduto e completamente fora de combate em eleições majoritárias - ainda bem, né?) e, claro, Geraldo Alckmin, o tucano que dividiu seu próprio partido em nome do interesse pessoal mais rasteiro, mais imediato, mais mesquinho.

 

Há dois anos, em 2006, Alckmin era um governador muito bem avaliado pelo eleitorado paulista – eu nunca o vi assim, sempre o considerei um administrador medíocre, mas é fato que as pesquisas apontavam sua aprovação elevada pela população de São Paulo. Forçou a barra para derrotar o desafeto José Serra e foi lançado candidato do PSDB à Presidência contra Lula. Tomou uma surra de dar dó.

 

Pois ao invés de ficar quietinho em seu canto, apoiar o prefeito Kassab como candidato da base aliada contra a oposição e se resguardar para uma possível volta ao Palácio dos Bandeirantes em 2010, Alckmin apostou novamente no embate com Serra. Impôs sua candidatura a um PSDB que estava quase todo na administração municipal, ficou sem discurso e... perdeu de novo, é claro. O Picolé de Chuchu que sai dessa eleição é ainda menor do que aquele que entrou nela.

 

E os vencedores em São Paulo? Independentemente do resultado final, é inegável constatar que o mais novo fenômeno político paulistano atende pelo nome de Gilberto Kassab. Há um ano, ninguém o conhecia; hoje, ele é o franco favorito à reeleição. É claro que o apoio de uma figura como José Serra conta demais, mas não se pode tirar o mérito da campanha kassabista – muito bem feita, principalmente na TV – e do próprio prefeito, que se não foi uma maravilha à frente da cidade, ao menos fez coisas importantes como o Cidade Limpa, a melhoria da Saúde, as iniciativas no Meio Ambiente, etc.

 

Outra vencedora, e aí me permitam uma dose de empolgação excessiva e/ou parcialidade assumida, é Soninha Francine, do meu PPS. Já disse aqui e repito: sem nenhum recurso, sem tempo de propaganda na TV, sem apelar  a baixarias, ela fez uma campanha muito digna, muito correta, apresentou suas propostas, qualificou o debate, deu seu recado e permitiu ao PPS se apresentar, pela primeira vez, com uma cara muito própria, muito sua, muito particular em São Paulo. Infelizmente não deu para terminar à frente do Maluf, mas 4% ou 266.211 dos votos válidos é um número considerável para uma candidata de partido pequeno e em sua primeira eleição majoritária.

 

Deixei até um comentário no blog da Soninha (tem linque aí ao lado) sugerindo que ela assuma algum Ministério em um provável governo Serra em 2010 (por que não ministra do Esporte?), ganhe mais visibilidade e, em 2012, entre para valer, não só para competir mas para ganhar mesmo, na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Posso estar sonhando um pouco, mas sinceramente acho que si, se puede.

 

Segundo turno: o blog apóia?

Confesso que fiquei tão empolgado, mas tão empolgado com a chegada do Gabeira ao segundo turno no Rio que não consigo nem pensar muito em alguma outra coisa relacionada à disputa do dia 26 de outubro, hehehe. Pela importância simbólica que teria uma vitória dele e, por que não, pela perspectiva de que a minha futura cidade comece a ser reconstruída de fato nos próximos quatro anos, devo admitir que não estou dando muita bola para o duelo Kassab x Marta em SP.

 

A verdade é que, muito sinceramente e apesar dos pesares, acho que São Paulo estará bem servida dentro das possibilidades. Ficaria, sim, muito preocupado se Geraldo Alckmin tivesse avançado ao segundo turno – mas disso, ufa!, todos nós escapamos.

 

“Relaxa e goza” à parte, Marta foi, sim, uma boa prefeita: mandou muito bem nos Transportes, fez história com a criação do Bilhete Único e a implementação dos CEUS, mas errou muito a mão na Saúde, que foi uma tragédia entre 2001 e 2004. Kassab, apesar do DEM, também deixa um legado importante para a história paulistana por conta do Cidade Limpa, além de ter diminuído o caos na Saúde tão abandonada pela antecessora e criado vários parques, uma das boas medidas de sua Secretaria do Meio Ambiente. Em contrapartida, deixou um pouco a desejar nos Transportes, justamente o ponto forte de Marta.

 

Enfim, apesar do PT e do DEM, apesar do “relaxa e goza” e do “vai trabalhar, vagabundo”, Marta e Kassab têm o que mostrar ao eleitorado paulistano. Entre um e outro, sem dúvida eu sou muito mais a Soninha, hehehe. Vou acabar ficando com a Marta, como já disse várias vezes aqui, basicamente por não conseguir de jeito nenhum depositar meu voto no DEM – o antigo PFL, que é a antiga Arena, lembram-se? Mas repito: apertarei o 13 sem qualquer empolgação e, de verdade, não estou muito preocupado com o que vai acontecer por aqui. Minhas atenções se concentram no outro lado da ponte aérea!

 

PS1: Uma das muitas coisas boas de fazer parte do PPS é justamente essa: é bem provável que o partido anuncie oficialmente o apoio a Kassab no segundo turno – o que seria absolutamente natural, já que a sigla faz parte da base do governo do atual prefeito em São Paulo. Como cada militante tem liberdade para pensar por si próprio – parece pouca coisa, mas não é tão comum na vida partidária, acreditem... –, não tenho problemas em assumir publicamente o voto em Marta. E é bom que seja assim: só dá ainda mais orgulho de fazer parte dessa turma. No PT ou no PSOL, isso não seria possível. No PPS, é. Ainda bem.

 

PS2: Meu candidato a vereador, Cláudio Fonseca, recebeu 21.026 votos e garantiu uma vaguinha na Câmara Municipal na próxima legislatura. É bom que se saia bem, porque será cobrado! Para conferir a lista completa dos 55 vereadores eleitos em São Paulo, clique aqui.  



Escrito por Fábio às 00h40
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Música da semana



Escrito por Fábio às 02h11
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EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA - O BLOG APÓIA, PARTE XXXXXVVVVIII

Soninha aqui, Gabeira lá.

Juízo nessa urna, galera. Bom voto a todos.



Escrito por Fábio às 02h03
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Um gol de placa chamado Museu do Futebol


Foto: Sebastião Moreira / EFE

 

Na semana passada, conversando com o eterno professor e amigo Celso Unzelte, fiquei sabendo dos detalhes sobre a origem da idéia do Museu do Futebol no Pacaembu.

 

Tudo começou, segundo ele, “no sofá da casa do Juca (Kfouri)”, em uma reunião há dois anos em que estavam presentes, além do anfitrião e do próprio Celso, o então prefeito e atual governador José Serra, Soninha, Luiz Gonzaga Belluzo, José Luís Portella e alguns jornalistas como Marcelo Duarte, Paulo Calçade e Paulo Vinícius Coelho.

 

A idéia foi de Serra, que em menos de dois anos conseguiu tirar do papel o mais impressionante museu de futebol do planeta – que se tornará, segundo previsão do Juca, “a maior atração turística de São Paulo”. Alguém duvida?

 

Por aquilo que pude acompanhar ontem, durante o CBN Esporte Clube com o Juca falando direto do Museu, e depois na reprise do Linha de Passe com o Plihal e o André Kfouri também fazendo uma brilhante cobertura da inauguração oficial, não se trata de exagero ou empolgação desmedida. A coisa é muito bem feita, motivo de orgulho não só para São Paulo mas para todo o Brasil e o futebol brasileiro, em geral.

 

O Museu do Futebol conta a história de nosso país no século XX, tendo o esporte mais popular do mundo como uma espécie de fio condutor dessa narrativa – permeada por preciosas informações sobre política, música, literatura, novelas (sim, novelas!), entre outras expressões culturais tipicamente brasileiras.

 

Aberto ao público amanhã, dia 1º de outubro, o Museu do Futebol funcionará de terça a domingo, exceto nos dias em que houver jogos no Pacaembu, das 10h às 18h, ao preço de R$ 6 (sim, eu disse R$ 6, ou R$ 3 meia-entrada!). Absolutamente imperdível.

 

Sabadão está logo aí, e o meu programa parece mais do que definido: uma tarde inteira nesse verdadeiro templo sagrado do futebol brasileiro.

 

É dessas coisas capazes de encher um país inteiro de orgulho.



Escrito por Fábio às 12h24
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Rapidinhas (nem tão rápidas assim...) de uma semana decisiva – parte II

(continua...) 

 

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Chega de política, ufa. Porque não dá para deixar de homenagear nesses pitacos Paul Newman, morto aos 83 anos no último sábado, vítima de um câncer no pulmão contra o qual lutava há alguns anos. Notável. Inesquecível. Genial!

 

Para a história, entre tanta coisa boa que fez em vida, ficará registrada para sempre essa cena antológica do filme “Butch Cassidy”, de 1969, ao lado de Katharine Ross. Cliquem aqui, vale muito a pena.

 

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Faz tempo que não falo de futebol por aqui, né? É que, para dizer a verdade, faz tempo que não vejo um jogo inteiro do São Paulo, hehehehe... O que esse time me deu de alegria nos últimos três anos, vem compensando ao só me dar desgosto em um sofrível 2008, credo!

 

Vocês se lembram de que, antes do início do Campeonato Brasileiro, eu cravei Flamengo campeão. A equipe carioca, que chegou a disparar na ponta no início da competição, ocupa agora o quarto lugar, com 46 pontos (mesma pontuação do Tricolor, mas à frente pelo número de vitórias), e parece não ter forças para brigar pelo título. O Grêmio, que vinha dando pinta de que ficaria com a taça, apanhou de 4 a 1 do rival Internacional e está em queda livre. E o Palmeiras...

 

Bem, o Palmeiras tem tudo para faturar seu quinto título brasileiro e se igualar em número de taças a Flamengo e São Paulo. No começo do ano, peguei no pé do time do Luxemburgo, que ganhou o campeonato que não valia nada – o Paulistinha – e perdeu aquele que realmente importava, a Copa do Brasil. E vaticinei: o trabalho de Luxemburgo só seria bem-sucedido se o treinador levasse o milionário elenco palmeirense ao título nacional. Pois é o que parece que vai acontecer.

 

É o mínimo que se esperava de um clube que gastou milhões em 2008? Sim, é. Mas os méritos são indiscutíveis e, por mais que eu não goste do Luxemburgo (não gosto mesmo e acho que muita gente supervaloriza sua competência), não dá para não reconhecer o iminente êxito de seu trabalho nesta nova passagem pelo Palmeiras.

 

Quanto ao São Paulo... bem, do jeito que a coisa vai, sonhar com o título é algo surreal, apesar da boa vitória de ontem sobre o Cruzeiro. Se beliscarmos uma vaguinha na Libertadores, já estará de ótimo tamanho! E para 2009, se Deus quiser, outro treinador estará no comando da equipe. Chega de Muricy, por favor. Quatro anos seguidos com esse cara é demais para mim!

 

Aliás, detalhe curioso: em 2008, muito por conta do desânimo com o time de Muricy Ramalho, não fui ao Morumbi NENHUMA vez. Só fui a estádios para ver Flamengo x Botafogo, no Maracanã, e Juventus x Guarani, na Rua Javari, ainda no primeiro semestre. Será o primeiro ano desde 1991 (quando comecei a acompanhar jogos de futebol in loco) que não compareço nenhuma vez ao campo do São Paulo. 



Escrito por Fábio às 13h15
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Rapidinhas (nem tão rápidas assim...) de uma semana decisiva – parte I

Segunda-feira de folga.  E é bom aproveitar bastante mesmo, porque a partir desta terça-feira este pobre blogueiro volta ao antigo horário noturno na firma. Dependendo do dia da semana, minha jornada de trabalho começa às 16h, 17h ou 18h e vai até 1h, 2h... Estava tão bom ter horário de gente... Humpf.

 

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Confesso que não assisti a todo o debate Obama x McCain transmitido pela CNN na noite da última sexta-feira, mas a impressão que dá é de que os dois candidatos ainda não têm a dimensão da crise que vem deixando os Estados Unidos – e o mundo, por conseqüência – em pânico. Ou melhor: talvez até tenham idéia da bucha que um dos dois terá pela frente, mas nenhum deles parece estar bem preparado para encarar o problema de frente.

 

O debate foi fraco, com leve vantagem para o candidato democrata de acordo com as pesquisas, mas nada muito empolgante. Continuo achando que Hillary Clinton está anos-luz à frente dos dois concorrentes ao posto de George W. Bush na Casa Branca, mas tudo bem... O fato inescapável é que o próximo presidente norte-americano terá de resolver a maior crise já vista pelo mundo desde os anos 1930. É algo que os livros de história vão estampar em algumas de suas páginas daqui a 50 anos... Coisa séria.

 

O curioso é observar que o agravamento do colapso no mercado financeiro do país foi determinante para a reação de um Obama que parecia ter sentido o “fenômeno” Sarah Palin – a candidata a vice de John McCain responsável pela ligeira liderança do republicano nas principais pesquisas de intenção de voto até então. Com o pânico em Wall Street e o peso de representar um governo tenebroso como o de Bush, Sarah nenhuma deu jeito na campanha de McCain: Obama recuperou a dianteira de alguns meses atrás e já pode se preparar para assumir o pepino. 

 

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Não pude assistir ao penúltimo debate do primeiro turno entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, exibido ontem, pela Record, mas por aquilo que noticiaram os jornais nesta segunda-feira tivemos um pouco mais do mesmo: Marta atacando Kassab e Alckmin; Kassab atacando Marta e Alckmin; e Alckmin atacando Marta e fuzilando Kassab. Enfim.

 

O mais legal, pelo que li também nos blogs políticos da rede, foi mesmo mais um confronto direto entre Maluf e a “minha” Soninha, hehehe. Juro que passei toda a campanha esperando pelo dia em que o ex-prefeito citaria a tal entrevista de Soninha à Época em que ela admitia que fumava maconha, lembram?

 

Pois bem: o homem até mostrou a antiga capa da revista no debate de ontem – o que deve ter levado à loucura seu eleitorado (ainda existem os malufistas?) ultraconservador. Desta vez, ao contrário do último debate da Band (quando se enrolou na hora de responder ao doutor Paulo), a candidata do PPS foi firme e colocou as coisas no seu devido lugar. Devolveu o golpe baixo com categoria.

 

É um bom sinal perceber que Maluf vem polarizando nos ataques pessoais e de baixo nível, é claro, com Soninha. Segundo o último Ibope e o último Datafolha, estamos quase lá, na margem do empate técnico com o candidato do PP! A imagem aí embaixo fala por si só:

 

 

 

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Falando em Soninha, candidata do meu partido e que obviamente contará com meu voto no próximo domingo, devo dizer que ando bem otimista em relação ao que pode acontecer com ela nos próximos anos. Sem um tostão no bolso e com uma campanha quase toda “voluntária”, é bem provável que ultrapasse a marca dos 5% dos votos válidos no primeiro turno – isso se não terminar, de fato, à frente de Maluf, que hoje tem 7% de acordo com as pesquisas. É um cacife político, digamos, nada desprezível, né?

 

Como sonhar não custa nada, fico imaginando como teríamos sorte se Soninha fosse nomeada ministra do Esporte em um eventual governo Serra em 2010. Certamente faria um trabalho digno – como há muito não se vê no comando da pasta, atualmente mais preocupada em negociatas pela Copa-2014 e a Olimpíada-2016 com a turma da CBF e do COB –, e ganharia uma enorme visibilidade para se candidatar novamente à Prefeitura em 2012.

 

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Ainda na esteira das pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas no fim de semana: está cada vez mais claro, como todo mundo já sabia (menos o Alckmin e seus geniais assessores e marqueteiros....), que o segundo turno deve mesmo ficar entre Marta e Kassab.  Tirar cinco pontos de diferença em relação ao atual prefeito (20% a 25%) em uma semana é até possível, mas não provável.

 

Para desespero do próprio Alckmin e também do PT de Marta Suplicy, que preferia enfrentar o ex-governador no segundo turno, quem vai mesmo passar é Kassab, a não ser que algo de extraordinário aconteça nos próximos dias ou no debate da Globo de quinta-feira à noite. Não acredito.  

 

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Última sobre o Alckmin, prometo: vocês leram essa notinha que saiu na Veja desta semana? Aqui, ó: “O PSDB está certo de que o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin deixará o partido caso perca a eleição para a prefeitura da capital. A convicção foi formada a partir da descoberta de que Alckmin já sondara o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, sobre a possibilidade de se filiar ao PSB. Não é só. Ao longo da campanha, o discurso de Alckmin tem sido marcado por queixas. Com freqüência, ele repete que apenas sua mulher, Lu, e sua filha, Sophia, estão realmente empenhadas em sua candidatura. O alvo nem tão oculto assim de suas críticas é o governador José Serra, com quem Alckmin disputa o comando do PSDB paulista”.

 

E o cara ainda bate no peito cobrando coerência do Kassab, né? Negociações para se transferir ao PSB, um dos partidos mais fiéis da base de apoio ao governo Lula e que tem como principal nome nacional o Ciro Gomes???? Deus do céu!

 

Muito coerente, esse Geraldo. Sei.

 

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Aê! Finalmente escolhi meu candidato a vereador, hehehe. Confesso que já estava ficando preocupado com as dificuldades para optar por um nome da lista do PPS... mas o encontrei, enfim! Trata-se de Claudio Fonseca, número 23000 (fácil de guardar, né?), antigo militante pela Educação em São Paulo, ex-membro do PCdoB, expulso do partido por ter votado contra as taxas propostas pela ex-prefeita Marta Suplicy.

 

Segundo o excelente Vereador Digital, do portal do Estadão, o único problema do meu candidato é torcer para um time aí que está prestes a voltar à Primeira Divisão, mas beleza... Pela trajetória política, está perdoado, hehehe.

 

Quem quiser saber mais sobre Claudio Fonseca ou qualquer outro candidato a uma vaga na Câmara Municipal, deve dar uma passada aqui e aqui.

 

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Para encerrar esses pitacos políticos que nem foram tão curtinhos assim, vale o registro: nunca-antes-neste-país, ops... ou melhor, nunca-antes-na-minha-família uma eleição dividiu tanto as preferências aqui em casa. Entre cinco pessoas (eu, meus pais e minhas duas irmãs – uma delas não mora mais com a gente, mas continua sendo “de casa”...), quatro candidatos receberão votos no próximo domingo. O DataMatos informa:

 

Eu: Soninha

Meu pai: Alckmin

Minha mãe: Kassab

Irmã 1: Marta

Irmã 2: Alckmin

 

Só faltaram o Maluf e o Ivan Valente, né? Viva a democracia, hehehehe!



Escrito por Fábio às 13h13
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Música da semana



Escrito por Fábio às 09h19
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365 Dias


Foto: Acervo Gazeta Press

Há um ano, morria Roberto Dias, maior ídolo do São Paulo dos anos 1960

*Fábio Matos, da redação ESPN.com.br

 

No dia 26 de setembro de 2007, há exatamente um ano, o futebol brasileiro perdia um de seus mais dignos representantes. Aos 64 anos, Roberto Dias Branco, ex-zagueiro e ex-volante do São Paulo e da seleção brasileira, falecia por conta de uma parada cardiorrespiratória sofrida nas dependências do próprio Estádio do Morumbi – onde trabalhou desde 1989 na escolinha de futebol para os filhos dos sócios do clube.

 

O ex-craque teve de ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, mas não resistiu e morreu por volta das 19h30 daquela quarta-feira. Na mesma noite, o time paulista recebeu o Boca Juniors, pela Copa Sul-Americana (vitória são-paulina por 1 a 0, que classificou a equipe para as quartas-de-final do torneio), e os jogadores entraram em campo com uma faixa preta em sinal de luto pela morte do ídolo.

 
Ícone de toda uma geração de são-paulinos, Roberto Dias é apontado, por muitos, como um dos maiores zagueiros da história do clube paulista e principal ídolo do período de “vacas magras” dos anos 1960. Enquanto o São Paulo concentrava esforços na construção do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, a equipe sofria com a escassez de craques e a superioridade de rivais como o Santos e o Palmeiras.
 
Dias era o único grande nome do time do Morumbi. “Ele é, para mim, o maior jogador da história do São Paulo entre todos aqueles que pude acompanhar”, afirma Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol do clube. “É claro que há um passado que não acompanhei, é claro que falam de Canhoteiro, Bauer, Rui, Noronha, mas para a minha geração, Dias é o representante maior. Ele era, para nós, naquela época, o que o Rogério Ceni é hoje para as novas gerações.”
 
Nos 13 anos em que vestiu a camisa do São Paulo, entre 1960 e 1973, Dias atuou como zagueiro e médio-volante. Pelos números oficiais do clube, ele fez 450 partidas pelo Tricolor, com 69 gols marcados. Entretanto, segundo o Almanaque do São Paulo (Editora Abril, 2005), escrito pelo jornalista Alexandre da Costa e que disponibiliza fichas técnicas de 4.353 jogos da equipe desde a fundação do clube até junho de 2005, Roberto Dias vestiu a camisa tricolor 523 vezes, com 76 gols. Sendo assim, o ex-zagueiro é o quinto atleta que mais atuou pelo São Paulo em número de jogos (atrás de Rogério Ceni, Waldir Peres, José Poy e De Sordi), e o terceiro em tempo de permanência (perdendo apenas para Teixeirinha e Rogério Ceni). 
 

Trajetória
Roberto Dias Branco nasceu no dia 7 de janeiro de 1943, no bairro do Canindé, zona norte de São Paulo. Filho do ex-jogador Oswaldinho (que teve passagens pelo Juventus e pelo antigo Comercial, da capital), Dias era muito ligado à mãe, Leny, e aos irmãos, Cláudio, Maria Helena e Olga. Sua infância foi muito pobre – morava com a família em um cortiço, no número 578 da Rua Canindé.
 
Desde garoto, mais conhecido pelos amigos como “Bebé”, o futuro ídolo são-paulino jogava futebol no campo da Força Pública – a antiga Polícia Militar de São Paulo. Foi lá que chamou a atenção de Vadico, ex-jogador do time amador do Tricolor e que também morava no Canindé. Foi apresentado, já no São Paulo, a Remo Januzzi e Caxambu, ídolos do time nos anos 1940 e que, à época, estavam na comissão técnica da equipe principal.
 
A primeira partida do jovem craque pelo clube aconteceu no dia 5 de maio de 1960, no Pacaembu, na derrota por 2 a 0 para a Portuguesa. No mesmo ano, o talento precoce do jogador fez com que Dias fosse convocado para a seleção brasileira que disputou a Olimpíada de Roma, na Itália, quando atuou no meio-de-campo ao lado de um futuro companheiro de São Paulo, Gérson. Dias marcou dois gols, na vitória por 5 a 0 sobre a China, mas o Brasil foi eliminado pela anfitriã Itália, por 3 a 1.
 
Na volta ao Brasil, o jogador firmou-se, definitivamente, como grande símbolo do São Paulo dos anos 1960. Mesmo sem títulos, ele marcou época: era presença constante nas convocações da seleção brasileira, tinha qualidade técnica acima da média para um jogador de defesa e cobrava faltas e pênaltis com precisão. Chegou a ser apontado, pelo próprio Pelé, como o maior marcador que o Rei do Futebol já teve na carreira. “Era muito difícil jogar contra ele, porque era inteligente e sabia marcar sem faltas. Sempre que jogava contra ele eu não gostava, porque sabia que teria dificuldades”, confessou Pelé ao jornal O Estado de S.Paulo em reportagem publicada no dia 17 de julho de 2005.
 
Em 1966, Roberto Dias foi um dos 47 convocados pelo técnico Vicente Feola para o período de treinamentos do Brasil visando à Copa da Inglaterra – mas acabou ficando de fora da lista definitiva de 22 atletas que foram ao Mundial. Esta foi a maior frustração de sua carreira: não ter disputado uma Copa do Mundo. Ao todo, Dias disputou 25 partidas pela seleção brasileira principal entre 1963 e 1968, marcou um gol (na vitória por 5 a 1 sobre a Inglaterra, em 30 de maio de 1964) e teve 13 vitórias, oito empates e quatro derrotas.  
 

Títulos e saúde frágil
Assim que o São Paulo terminou a construção do Morumbi, o clube se reforçou com jogadores de ponta como Gérson e Pedro Rocha. E os títulos vieram: Roberto Dias, enfim, faturou os Campeonatos Paulistas de 1970 e 1971, mas praticamente não participou desta última conquista por conta de um grave problema de saúde.
 
No dia 29 de novembro de 1970, o craque sentiu-se mal durante o clássico contra o Santos (vitória alvinegra por 3 a 2) e foi substituído. Pouco depois de chegar à sua casa, voltou a sentir fortes dores no peito e no braço e, aos 27 anos, sofreu o primeiro infarto de sua vida. Segundo o doutor Giuseppe Dioguardi, médico que acompanhou o caso de Dias desde a primeira internação no início da década 1970, o ex-jogador tinha uma doença denominada aterosclerose – que leva à formação de placas, compostas especialmente por lipídios e tecido fibroso, na parede dos vasos sangüíneos. Essas placas causam, progressivamente, a diminuição do diâmetro dos vasos ou, em alguns casos, sua obstrução total. 
 
Tratado pela equipe médica do Instituto Dante Pazzaneze de Cardiologia, Roberto Dias ficou afastado dos gramados por exatos 373 dias, até o retorno definitivo, em 7 de dezembro de 1971, no empate por 1 a 1 com o América-RJ, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. O ex-zagueiro ainda continuaria vestindo a camisa do São Paulo até o dia 29 de julho de 1973, quando se despediu do clube após um empate sem gols com o Santos. Dias teve problemas de relacionamento com o ex-técnico da equipe, Telê Santana, demitido em maio daquele ano (em sua primeira passagem pelo time paulista). Após 13 anos de São Paulo, o ex-craque passou a não ser mais relacionado para os jogos e também deixou o Morumbi, magoado com o clube.
 
Roberto Dias também atuou pelos modestos CEUB-DF, ainda em 1973; pelo Jalisco de Guadalajara (México), entre 1974 e 1977, a convite do brasileiro Mauro Ramos de Oliveira, ex-jogador do São Paulo e da seleção brasileira e então treinador do time mexicano; pelo Dom Bosco (MT), em 1978; e pelo Nacional-SP, também em 1978, quando encerrou a carreira, aos 35 anos. 
 
A partir de então, o ex-craque passou a viver um período turbulento de muitas dificuldades de saúde e de ordem pessoal. Após perder o filho Rogério, com apenas três meses de vida, por complicações pulmonares, em 1971, e a mãe, dona Leny, então com 49 anos, devido a uma infecção nos rins, Roberto Dias ainda teve de enfrentar a morte da filha recém-nascida Fernanda, em 1974. O casamento com a esposa Rosita também chegou ao fim, após 12 anos de união, em 1979, e Dias entrou em depressão e passou a sofrer com o alcoolismo. Ele ainda sofreria um segundo infarto e um AVC (acidente vascular cerebral) no mesmo ano.
 
Em 1989, por intermédio do amigo Gabriel Ribeiro Nogueira, médico cirurgião e grande admirador de Dias, o ex-craque se reaproximou do clube do Morumbi. Passou a trabalhar como professor da escolinha de futebol para os filhos dos sócios do São Paulo e lá ficou por 18 anos, até sua morte.
 
Em depoimento há cerca de dois anos, Roberto Dias demonstrava sua gratidão pelo clube que aprendeu a amar. “Depois de voltar a trabalhar no São Paulo, senti de uma capacidade de contribuir, de ser útil, o carinho das crianças... Estou vivendo outra vida e pretendo continuar no São Paulo. Vamos ver até quando eles vão me agüentar, né?”, brincou. “Se eles me agüentarem, vou estar bem velhinho e trabalhando lá.”
 
Roberto Dias Branco morou desde 1967 no número 1301 da Rua Canário, em Moema (zona sul de São Paulo), na casa 6, em uma pequena vila. Em 1986, sete anos após o divórcio, ele pediu à antiga companheira, Rosita, que voltasse a morar com a família. Além de Rosita, ainda moram na casa as duas filhas, Roberta e Samantha, e os dois netos, Rodrigo e Matheus.

 

*Fábio Matos é jornalista e autor do livro Dias – A Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960 (Pontes Editores/2007), biografia de Roberto Dias



Escrito por Fábio às 09h15
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Volta, Maneco, volta!!!

Do UOL:

Ibope de novelas desaba na Globo; veja a queda

Ricardo Feltrin

 

"Pela primeira vez na história da Globo o ibope das novelas é preocupante. Muito preocupante. Com exceção da atual novela das 19h, "Três Irmãs", a teledramaturgia global atravessa uma fase sombria sem precedentes. Embora ainda esteja em primeiro lugar no mercado, a hegemonia da Globo em novelas está ameaçada. E em queda, tanto no país como na praça mais importante: a Grande São Paulo.

 

O horário de novela mais crítico para a Globo nesta década é justamente o mais valioso. Exibida após o "Jornal Nacional", produto mais caro da casa, a novela das 21h da Globo é um símbolo comercial e de imagem, uma fonte de prestígio e, claro, de dinheiro. Além disso é o segundo mais caro da publicidade brasileira.

Desde o sucesso "Laços de Família" (45 pontos, em 2000/01) até hoje, com "A Favorita" (37 pontos), a queda de ibope da Globo foi de quase 18%.

Se computados apenas os últimos quatro anos, a audiência literalmente rolou a ladeira: desde a recordista "Senhora do Destino", exibida entre 2004/05 (50 pontos de média), a Globo vem amargando queda seguida de queda. Entre 2004 e 2008 a Globo perdeu um em cada quatro telespectadores (queda de 26,19%)."
 

 


Arte: Folha Online

 

****

Comentário do blogueiro: tenho a impressão de que voltei bem menos noveleiro de Pequim. Desde que cheguei, não consegui pegar um capítulo inteiro de "A Favorita" nem cinco minutinhos de "Pantanal".

 

Sabem de uma coisa? Acho que o João Emanuel Carneiro, que vinha tão bem na novela das oito, errou a mão de uns tempos para cá. Do nada, a Flora passou a ser muito, muito, mas muito má, praticamente uma serial-killer, psicopata mesmo, enquanto a Donatella se transformou na pobre-vítima-indefesa-e-injustiçada-por-Deus-e-o-mundo.

 

Todo o mérito inicial do autor, inquestionável, de construir uma história em que ninguém sabia ao certo quem era a vilã e quem era a mocinha - porque as duas tinham o seu lado bom e o seu lado ruim, as suas fraquezas e contradições evidentes, como todo mundo, aliás -, foi por água abaixo com essa "caricaturização" excessiva da Flora e da Donatella. Ficou demais, passou muito do ponto: não é possível que exista alguém tão cruel quanto a personagem interpretada pela Patrícia Pillar! Até ficção tem limite, poxa! 

 

O que sobrou de bom na novela das oito, para mim, é a sempre excelente Lília Cabral - de longe, a melhor atriz brasileira em atividade. As cenas dela com o Jackson Antunes são verdadeiras aulas. De resto, numa boa, "A Favorita" caiu muito, demais, e pode chegar ao fim como uma das maiores decepções da teledramaturgia brasileira nos últimos anos.

 

Sobre "Pantanal", não sei exatamente o que aconteceu. Mas o fato é que não tenho mais nenhuma paciência em ver tanta vaquinha, tanto boi, tanta fauna e flora, naquele ritmo devagaaaaaaaaaaaaar e arrastaaaaaaaaaaaado da ex-novela da Manchete... Cansei, humpf. 

 

Tudo isso só para dizer, basicamente, que já passou da hora de o Manoel Carlos retomar o posto no horário nobre global, hehehe. Os números fazem coro ao meu apelo, como mostra a reportagem reproduzida lá em cima.

 

Não por acaso, digo e repito: a melhor novela da televisão brasileira atualmente está em cartaz no "Vale a Pena Ver de Novo", é "Mulheres Apaixonadas", minha companheira de todas as tardes, quando deixo a firma para almoçar em casa...

 

Volta, Maneco!



Escrito por Fábio às 14h23
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Diálogos em família

Meu tio-petista-professor-da-FFLCH (eu sei que “petista-professor-da-FFLCH” é redundância, mas tudo bem...) tentou me provocar durante uma conversa descontraída há alguns dias. Mas se deu mal, hehehe. Segue o diálogo:

 

 - Fábio, você está fazendo mesmo uma inflexão à direita! (risos)

 

 - Pois é, tio... As coisas mudam, né?

 

 - Tome cuidado, menino! Vai terminar como um tucano reacionário, feito o seu pai (mais risos). Aliás, já já ele vota no DEM, né?

 

 - Ah, sem dúvida... Mas também, né, tio, tendo Alckmin como candidato, acho que até eu acabaria votando no DEM (risos)!

 

 - Claro. Mas me diga uma coisa, menino, e a sua inflexão à direita, hein? Na última eleição, votou na Heloísa Helena e no PSOL, e agora vai de Soninha e PPS???

 

 - Verdade. Realmente, tio, acho que estou passando por um processo de inflexão à direita mesmo. Do PSOL ao PPS, é inegável que me tornei mais moderado, né? Vai ver que é a idade...

 

 - Ahá! Então você admite que está mesmo se tornando reacionário!

 

 - Talvez. Mas fique tranqüilo, tio.

 

 - Por quê?

 

 - Porque essa minha inflexão à direita é bem leve, só do PSOL ao PPS. Pode ficar sossegado porque tudo tem limite, né? No PT eu não chego, não, de jeito nenhum!!!

 

 - ...

 

 - (risos, muitos risos)

 

(Eu adoro as discussões políticas na minha família. É muito por conta delas que me tornei apaixonado pelo assunto, hehehe... Esse meu tio, coitado, sofre um bocado, porque é o único petista no meio de vários irmãos tucanos. Antes, até tinha em mim um grande aliado, nos meus tempos de amor incondicional pelo partido da estrelinha e pelo Lula. Agora ficou isolado mesmo. Há!)

 

****

 

Meu pai, tucano, anda na bronca com José Serra por conta das enormes dificuldades da campanha de Geraldo Alckmin. Para ele, assim como para 9 em cada 10 alckmistas, a culpa por todos os males do mundo é de Serra. Segue o diálogo:

 

 - Serra FDP!

 

 - Calma, pai! Que é isso!? Por que tanto ódio no coração?

 

 - O desgraçado só pensa nele, é egoísta, não tem espírito partidário. Não ajudou o Alckmin e deve estar feliz da vida agora...

 

 - Mas, pai, como assim “não ajudou o Alckmin”? Ele subiu no palanque, declarou apoio publicamente, colocou o broche da campanha na camisa, apareceu no horário eleitoral... Que mais você quer que ele faça??? O cara tem que trabalhar, pô! É governador do Estado!

 

 - Tudo jogo de cena. Ele está morrendo de rir agora. FDP!

 

 - Ô, pai, apoiar, ele apoiou! Disso vocês não podem reclamar. Mas quem fez a cagada não foi o Serra, mas o Alckmin, que mais uma vez forçou a candidatura e dividiu o partido. Como lançar um candidato para falar mal de um governo que tem vários tucanos, como o atual? Só mesmo na cabeça desse louco do Alckmin é que isso poderia dar certo!

 

 - Não interessa. Tinha que apoiar.

 

 - MAS ELE APOIOU!!!

 

 - Não apoiou. Desgraçado, egoística, FD...

 

 - Tá bom, pai, tá bom! Vota na Dilma em 2010, então, ué!

 

 - Acho que vou fazer isso mesmo! No Serra eu não voto mais, de jeito nenhum!

 

 - Isso, faz isso: vota na Dilma mesmo. Ou no Ciro. É bem típico dos tucanos: fazer a coisa errada justo na hora em que vão ganhar uma.

 

 - Humpf.

 

 - Humpf.

 

(Adoro as discussões políticas com o meu pai. Ele parece bravo, mas é mansinho, mansinho, não se assustem... E é bem divertido também. Figuraça! Aliás, ele é um tucano muito fajuto pro meu gosto: cansou de votar no Suplicy, votou no Lula no segundo turno de 1989 contra o Collor, votou na Marta no segundo turno de 2000 contra o Maluf... Diz que se arrepende até hoje, mas votou!)

 

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Encontrei essa charge no Blog do PPS (tem linque aí ao lado). Dispensa comentários. Meu tio e meu pai não vão gostar, nem meus amigos petistas e tucanos, mas é genial: 

 



Escrito por Fábio às 00h26
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Música da semana

A música da semana vem martelando na minha cabeça mais precisamente desde a noite da última segunda-feira, quando assisti ao belíssimo documentário “O Mistério do Samba”, dirigido por Lula Buarque de Hollanda (sobrinho do Chico) e Carolina Jabor (filha do Arnaldo), e produzido pela Marisa Monte, que dispensa apresentações.

 

Dou cinco pitacos, com louvor, para esse delicioso filme que mostra a beleza e a simplicidade da minha escola de samba de coração, a Portela, e um pouco da vida desses personagens riquíssimos que constituem a Velha Guarda.

 

Por todos eles, pela Marisa, pelo Paulinho, pelo Zeca, pela Portela, mas principalmente pela companhia durante aqueles 88 minutinhos que passaram mais rápido do que deveriam, é que escolho “Volta” como a música desta semana.

 

Porque eu voltei, e não foi só de Pequim, não... Voltei a ser feliz, genuinamente feliz, e a estar leve, muito leve, ao lado de quem nunca deixei de amar. Ao lado de quem escolhi para dividir comigo todos os sambas portelenses de ontem, de hoje, de amanhã, de sempre.

 

Os sambas alegres, sim, todos eles. Mas os tristes também: porque aprendi a custo de muito sofrimento que é nas horas de turbilhão que devemos encontrar forças para não jogar tudo para o alto e manter a serenidade. 

 

E me dei conta disso só depois de quase 25 anos, como se tomado por um lampejo de uma sabedoria que nunca tive - e que é típica de quem já passou por poucas e boas nessa vida, como os geniais representantes da ala mais "experiente" da escola de samba de Madureira.

 

Um dia eu chego lá, quem sabe? Com o perdão do clichê, vivendo e aprendendo, né? Essa é a graça, afinal.

 

Com vocês, então, "Volta", com Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela. E podem acreditar: este é o vídeo mais lindo entre todos aqueles já publicados como música da semana desde o nascimento do blog. Vale a pena assistir até o final! 

 

Dedicado a ela, é claro.  



Escrito por Fábio às 20h27
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Briga de gangue, racha na máfia ou alguma coisa está fora da ordem?


Cena de "O Poderoso Chefão", de Francis Ford Copolla, que conta a saga dos Corleone

 

Não sei se ainda estou sob os efeitos do fuso horário Brasil-China, mas confesso que quase dei um pulo da cadeira quando me deparei com o último artigo publicado no blog do Zé Dirceu – sim, o “chefe da organização criminosa” que consagrou o esquema do mensalão também é blogueiro.

 

Pois vejam o que o ex-todo-poderoso do governo Lula escreveu sobre a última edição da revista Carta Capital –  sim, aquela do Mino Carta, mais chapa-branca, impossível:

 

“Repilo e repudio, não posso aceitar e nem me calar perante à infâmia e a covardia da edição desta semana da revista Carta Capital, na ignominiosa reportagem que publica a meu respeito com o título "Endredo dantesco.”

 

Ui! "Ignominiosa reportagem" é sensacional, né? A esta altura, confesso, já estava rolando de rir em frente ao computador. Mas tem mais. Desabafa, Zé:

 

“Não tem limites a indignidade e a agressão de Carta Capital nesta sua edição a minha honra e à verdade. A revista me acusa de ser operador de uma conspiração para inviabilizar a Operação Sathyagraha e de proteger Daniel Dantas. Não divulga, por não ter, provas ou sequer indícios disso. Mas viola flagrantemente os meus mais elementares direitos constitucionais, quando desrespeita a presunção da minha inocência, e os meus direitos relativos à imagem garantidos pela Constituição.

Em síntese, o que a revista perpetra contra mim essa semana, e que chama de reportagem, é uma aberração, uma peça de ficção. Contesto-a sem medo. Quero ser julgado o mais rápido possível pela acusação que respondo no STF de corrupção ativa e formação de quadrilha. Até lá, e também depois, estejam certos, não me calarei ante vilanias como essas assacadas contra mim por essa revista.”

 

Hehehehe, divertidíssimo, não? A verdade é que as grandes máfias só fazem bem quando começam, de alguma maneira, a se desfazer – e o legal é que esses rachas públicos, sempre do mais baixo nível, bem típicos das gangues, quase sempre envolvem motivos obscuros. Não estou nem aí para saber o que moveu Mino Carta a descer a lenha no ex-companheiro Zé, mas me divirto muito, hehehe.

 

E achei ainda mais graça quando descobri, meus amigos, que, pasmem, o grande arauto da moralidade e justiceiro contra a “imprensa golpista”, Paulo Henrique Amorim (aquele que foi demitido do iG recentemente e, a partir de então, começou a falar mal da antiga empresa – que coisa feia...), está defendendo, vejam só... o impeachment (!!!) de Luiz Inácio Lula da Silva!

 

Juro por Deus! Duvidam? É o que está no blog do sujeito – que, coitado, deve ter menos audiência do que esses pobres pitacos daqui. Leiam o que disse PHA:

“Isso é caso de impeachment! O Presidente da República, o que tem medo, se alia a um quadrilheiro – Daniel Dantas – para “obstruir a Justiça”, “forjar provas” e, com a “BrOi”, montar o “caixa dois” da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República.”

Calma, controlem as gargalhadas porque tem mais: “O presidente que tem medo deve achar que – ao contrário de Nixon – ele controla o PiG, na batalha para “desconstruir” a Satiagraha. O PiG está com ele e a patranha que ele montou com Robert(o) Civita. Porque o PiG está nos grampos do Dr. Protógenes.  E porque o PiG protege os tucanos – estão todos lá, no grampo (legal) da Satiagraha. Mas o Presidente Lula, o que tem medo, se esquece de uma coisa: a imprensa hoje não está só no PiG.”

Entenderam alguma coisa? Nem eu, mas não é por culpa nossa – Zé Dirceu há tempos deixou de falar coisa com coisa, e Paulo Henrique Amorim, coitado, escreve tão mal, mas tão mal, mas tão mal, que seu blog só vale como diversão mesmo. Não dá para entender nada. Ah, mas falem aí, vai: não é engraçado ver a máfia do poder e do jornalismo (pff...), antes tão unida, digladiando-se em praça pública?

Acho que o Brasil está mudando, de fato, como não se cansa de alardear o presidente Lula. Jamais imaginei que viveria para ver isso: a Carta Capital, de Mino Carta, acusando Zé Dirceu, ícone petista; e Paulo Henrique Amorim, o maior vassalo governista da imprensa tupiniquim, defendendo o impeachment de Lula!!! Nunca-antes-neste-país, companheiros!

Mas em briga de gangue, me desculpem, eu não meto a colher. Só dou risada mesmo, hehehe.



Escrito por Fábio às 21h51
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Há vida inteligente nas semanais – parte II

 

Há seis meses, no dia 19 de março, aqui mesmo no blog, escrevi esse texto que reproduzo aí embaixo louvando a reportagem “Lugar de corrupto não é na cadeia”, publicada pela revista Época na estréia do suplemento especial Época Debate. Vale a pena ler de novo:

 

"Desde quando Veja e Carta Capital abdicaram dos princípios básicos de um jornalismo minimamente decente e tornaram-se panfletos quase político-partidários, abriu-se um espaço que vem sendo muito bem aproveitado pela revista Época entre as semanais.