Não entendo nem nunca entendi bulhufas de Fórmula 1, embora sempre tenha acompanhado pela TV, até com certa frequência, as etapas do Mundial da categoria, antes, durante e depois de Senna.
Curiosamente, um de meus grandes ídolos no esporte é o alemão Michael Schumacher, o maior piloto da história da principal categoria do automobilismo mundial – e, me desculpem os sennistas, acho que o próprio Ayrton reconheceria isso se estivesse vivo. Mas enfim.
O fato é que nem é preciso ter grande conhecimento técnico ou ser um especialista no assunto para se dar conta de que a temporada 2009, que começou no último fim de semana em Melbourne, tem tudo para ser uma das mais espetaculares – e malucas, por que não? – de todos os tempos. O mundo parece mesmo estar de pernas para o ar.
Como alguém poderia prever, por exemplo, que ex-Honda, atual Brawn GP, do britânico Jenson Button e de nosso glorioso Rubens Barrichello, estaria anos-luz à frente de McLaren, Ferrari e de todas as outras equipes no início do campeonato? O time capitaneado por Ross Brawn, que sabe das coisas, vem sendo apontado por muitos como o franco favorito... ao título! Já imaginaram Rubinho campeão do mundo em seu provável último ano como piloto de F-1?
Pois outro brasileiro, Felipe Massa, vice-campeão mundial de 2008 por um mísero pontinho a menos que o britânico Lewis Hamilton, não vê essa possibilidade como algo absurdo. Ao contrário: “Se eles continuarem assim, vão ganhar o campeonato no meio do ano”, afirmou ao final do treino que definiu o grid de largada na Austrália.
E muitos ainda dizem que a categoria não tem emoção, né? Ora, o que foi o Grande Prêmio do Brasil do ano passado, com a briga Hamilton x Massa até a última volta? E o que é esse começo de temporada maluco, em que um piloto que até há dois meses estava desempregado e sempre foi motivo de chacota em seu país pode sonhar com o título inédito? Bota emoção nisso!
Em tempo: a Carol, uma espécie de Mãe Dinah das previsões automobilísticas – ela acertou os dois últimos campeões, Raikkonen em 2007 e Hamilton em 2008 –, aposta que Rubinho irá faturar o troféu em 2009. Alguém duvida?
Novo emprego, início das pesquisas para o novo livro, Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais e intensificação da militância partidária. Assim, de uma só vez, do tipo tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Ufa!
E querem saber de uma coisa? Acho que estou pronto para o que der e vier! Primeiro, porque o corpo e a mente já se recuperaram plenamente e, depois, porque tudo fica mais fácil quando se trabalha naquilo em que se acredita, né? Tipo aqui, ó.
Sempre volto mais forte após períodos em que as baterias têm de ser recarregadas – às vezes é fundamental parar, pensar, descansar, refletir, estudar e se preparar para seguir em frente. Costuma funcionar comigo. Ao trabalho, então!
“Gran Torino”, dirigido e protagonizado por mestre Clint Eastwood, não teve nenhuma indicação ao último Oscar e também passou em branco em praticamente todas as principais premiações cinematográficas nos Estados Unidos. Azar delas.
A exceção foi o National Board of Review, “entidade que reúne diversos estudiosos e críticos norte-americanos e que entregou a Clint Eastwood seu troféu de melhor ator e ao novato Nick Schenk o de melhor roteiro original do ano passado”, descobri lendo reportagem assinada por Neusa Barbosa, da Reuters.
Troféus à parte, o filme é brilhante, emocionante, faz a gente rir, pensar e refletir sobre uma série de questões – como bem apontou a Lui, cinéfila preferida deste blogueiro, nesse texto aqui.
Em minha tradicional e humilde escala de zero a cinco pitacos, “Gran Torino” leva a nota máxima, disputando no empate técnico com “Milk”, longa do qual já falei aqui, o posto de melhor película do ano passado.
A música da semana, também belíssima e assinada por Jamie Cullun, é o tema do filme. Assim que o vídeo acabar, de verdade, não deixe de fazer esse favor a si mesmo: corra para o cinema.
Operação Castelo de Areia: acusação, defesa e um pitaco
- Do Estadão:
Camargo Corrêa é suspeita de doações ilegais a sete partidos
SAO PAULO - Sete partidos políticos (PPS, PSB, PDT, DEM, PP, PMDB e PSDB) são citados na Operação Castelo de Areia, deflagrada na quinta-feira, 26, pela Polícia Federal, como supostos destinatários de doações de recursos ilícitos a partir de esquema envolvendo diretores da construtora Camargo Corrêa e doleiros. Segundo a PF, a trama consistia em licitações fraudulentas, obras públicas superfaturadas e remessa de valores desviados do Tesouro para paraísos fiscais. A primeira etapa da investigação aponta para evasão de R$ 20 milhões, em estimativa da Procuradoria da República.
A operação prendeu 10 pessoas e vasculhou 16 endereços, onde foram recolhidos computadores, armas, quadros, documentos e pelo menos R$ 1 milhão em dinheiro. A força-tarefa estava em busca de um Pen drive onde estaria armazenada a suposta contabilidade paralela da organização e uma lista de políticos beneficiados.
Auditores do Tribunal de Contas da União acompanharam a blitz. "Há fortes indícios de que a empresa utilizava-se de offshores e do sistema de dólar cabo para remessas de quantias para o exterior", disse o delegado Alberto Iegas, coordenador da PF em São Paulo do combate ao crime organizado. Em nota, a Camargo Corrêa negou irregularidades e se declarou "perplexa".
Quatro executivos da empreiteira foram detidos: Fernando Dias Gomes, Dárcio Brunato, Pietro Francisco Bianchi e Raggi Badra Neto. Os quatro doleiros são: Jose Diney Mattos, Jadair Fernandes de Almeida, Maristela Brunet e Kurt Paul Pickel - este, suíço naturalizado brasileiro, é apontado como o articulador da parceria entre a cúpula da empreiteira, partidos e paraísos fiscais. Também foram presas duas secretárias da diretoria, Marisa Berti Iaquino e Darcy Flores Alvarenga.
Interceptações telefônicas da PF mostram investigados falando de políticos que teriam recebido dinheiro, entre eles os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) - R$ 300 mil para o primeiro, R$ 200 mil para o tucano. Os dois confirmaram a captação dos recursos, mas alegam que foram doações registradas na Justiça Eleitoral.
Também há citações, em conversas de terceiros que a PF monitorou, ao empresário Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e a um diretor da entidade, identificado como Luiz Henrique.
A procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, que pediu a prisão de 14 suspeitos, diz que "impressiona o grau de rapidez e coordenação na efetivação das transações financeiras ilegais, inclusive as internacionais, o intento de simulação para ludibriar as autoridades quanto à sua identificação e destino dos recursos evadidos".
O inquérito, iniciado em janeiro de 2008 – a partir de vigilância a um doleiro - aponta para Fernando Arruda Botelho, um dos sócios da Camargo Corrêa. Ele não teve sua prisão decretada, mas é alvo da investigação. A PF apreendeu armas em um cofre de Botelho.
Ao autorizar a operação, o juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, assinalou trechos de grampos que fazem "menção a divisão de valores, em tese, doados para partidos políticos".
A investigação da PF sugere que Botelho teria participado da distribuição de doações da empreiteira para partidos. Ele é vice-presidente da Fiesp. Numa conversa telefônica captada pelos agentes, Botelho teria conversado sobre atrasos na liberação de recursos.
"Os diálogos monitorados revelam tratativas e possíveis entregas de numerários supostamente a políticos e a partidos políticos oriundos, em tese, da empresa Camargo Corrêa, com a suposta intermediação da Fiesp, direta ou indiretamente", anotou o juiz De Sanctis.
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- Do site do PPS:
Partido Popular Socialista
Diretório Nacional
NOTA DE ESCLARECIMENTO
A Direção Nacional do PPS - Partido Popular Socialista – esclarece que não recebeu nenhuma doação da Construtora Camargo Corrêa e repudia o uso político da Polícia Federal pelo governo Lula para tentar atingir os partidos de oposição.
Reitera, também, que o PPS não utiliza e não aceita nenhuma doação de "recursos não contabilizados". Todas as doações recebidas pelo PPS somente são aceitas dentro dos parâmetros legais e suas contas são fiscalizadas pela justiça eleitoral brasileira.
O PPS exige o total esclarecimento dos fatos e irá responsabilizar criminal e civilmente os autores dessa leviana acusação.
Brasília, 25 de março 2009.
Roberto Freire Presidente Nacional do PPS"
**** Comentário do blogueiro: Ao contrário do modus operandi petista verificado em todos os muitos escândalos de corrupção que marcaram o governo Lula, não justifico eventuais irregularidades supostamente cometidas por meu partido com ataques à “mídia golpista”, à “imprensa burguesa” ou a conspirações de qualquer espécie. Não tenho a menor vocação para coitadinho com complexo de perseguição nem sou idiota.
Se há suspeitas – e é bom que se diga que, até aqui, tudo o que existe são suspeitas –, que todas elas sejam investigadas a fundo.
Espero, sinceramente, que a Operação Castelo de Areia vá às últimas consequências, independentemente de qual coloração partidária tiverem os possíveis culpados. No PPS, ao contrário do que ocorre no Planalto desde 2003, não se passa a mão na cabeça dos “companheiros”. Quem erra, paga. Quem rouba, é expulso. Essa é a diferença.
O presidente nacional do partido, Roberto Freire, contra quem não paira até hoje qualquer dúvida em relação a idoneidade e comportamento ético em mais de 40 anos de vida pública, divulgou a nota aí em cima dando conta de que não houve “nenhuma doação da construtora Camargo Corrêa” ao partido. E cobrando profunda investigação e o “total esclarecimento dos fatos”. Que se investigue, oras!
Mas que é estranho, muito estranho, o fato de todos os principais partidos políticos do país serem citados na tal operação – à exceção do PT –, ah, isso é, né? Com o tal do juiz De Sanctis no meio, é sempre bom ficar com mil pés atrás... Daqui a pouco aparece o outro “herói” daquela turma da imprensa paga com dinheiro público para defender o governo, o bizarro delegado Protógones, não duvido nada. Então, na boa, calma lá.
De todo modo, bora lá investigar. Eu topo. Aguardemos.
PPS se antecipa ao PSDB e faz prévias entre Serra e Aécio
Com a indefinição no PSDB sobre quem será o candidato do partido à Presidência da República, o PPS resolveu se antecipar aos tucanos e fazer uma consulta interna para saber quem é o preferido de seus correligionários. A consulta, feita por meio do site do partido, colocará em lados opostos o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), os dois "presidenciáveis" tucanos.
Parte da oposição --junto do DEM e do próprio PSDB--, o PPS ainda vai incluir um campo "outros" para os correligionário que não concordam com o nome de Aécio nem de Serra para ter o apoio do partido em 2010.
Para participar das prévias, os filiados do PPS receberão e-mails ou cartas informando das prévias. Se desejar participar do processo, o filiado deverá preencher um formulário, informar seus dados --como o título de eleitor e a inscrição no partido-- e votar no site da legenda.
A expectativa é de que os cerca de 400 mil filados do partido --segundo o último balanço do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)-- participem da consulta.
O anúncio oficial a respeito das prévias aconteceu nesta terça-feira (24), durante o lançamento do congresso nacional do partido que será realizado nos dias 7, 8 e 9 de agosto, no Rio de Janeiro. O evento teve a participação do presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). As prévias do PPS devem acontecer após o congresso realizado pelo partido.
A consulta feita ao correligionários do PPS, no entanto, não valerá para decidir quem será o candidato tucano em 2010, uma vez que o próprio PSDB ainda não definiu se fará ou não as prévias entre Serra e Aécio.
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Comentário do blogueiro: Bela ideia! E nem preciso dizer que não vou me furtar a cravar meu voto no pré-candidato de minha preferência, né? Ganharão doces – e não pães de queijo – aqueles que acertarem de quem se trata. Hehehehe.
Aliás, por falar em boa ideia, não poderia haver cidade melhor para receber o XVI Congresso Nacional do PPS, entre os dias 7 e 9 de agosto. E juro que não tive nada a ver com a escolha, hein!
Na verdade, ando pensando em ficar no Rio até 2010 para participar da provável campanha de Fernando Gabeira ao Governo do Estado – para variar, as eleições fluminenses serão bem mais interessantes que o pleito daqui de São Paulo, que tem como franco favorito ninguém menos que... Geraldo Alckmin. Afe!
Além de fugir do Picolé de Chuchu, de quebra, aproveito para acompanhar mais de perto as gravações da futura novela do Maneco, né?
“Lá fora, a crise é um tsunami. Aqui, se chegar, vai ser uma marolinha, que não dá nem para esquiar.” A frase é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dita mais precisamente no dia 4 de outubro de 2008, mais uma daquelas pérolas barbudas que ficarão para sempre registradas na história política brasileira. Pois é, companheiro... A marolinha chegou, sim, e com cara de tsunami!
E chegou mais diretamente ao bolso do trabalhador, à mesa da família mais pobre, ao chefe dessa família que acabou de perder o emprego e agora não sabe quando – e se – vai conseguir se recolocar em um mercado de trabalho cada vez mais fechado. O tsunami também é aqui, Lula.
Nada mais natural que os números recentes da CNI/Ibope, que registram queda de nove pontos percentuais na aprovação ao governo. Não há carisma nem identificação popular, mesmo no grande líder das massas, que se sustente por muito tempo em meio à maior crise econômica internacional dos últimos 70 anos. Lula pode ser um ícone, talvez até um mito, mas ainda não é Deus, embora não lhe falte essa vontade.
O bolso é quem manda na cabeça do eleitor médio, e estamos conversados: quando a maré econômica era boa, as mazelas do governo se apequenavam diante da figura carismática do atual presidente – e, justiça seja feita, muito por conta da eficiência de seus programas de transferência de renda e assistência social. Entretanto, com o tsunami que atingiu em cheio também o Brasil, meu amigo... não há marola que dê jeito! De todo modo, a aprovação ainda é alta, é bom que se note. Alta até demais!
Serra, Dilma e as cagadas do PSDB
Igualmente natural é a liderança confirmada do governador José Serra de acordo com o Datafolha. Há mais de um ano, os números do tucano oscilam dentro da margem de erro, sempre com mais de 40% das intenções de voto para a Presidência da República e supremacia consistente em todas as regiões do país (embora com maior dificuldade no Nordeste, importante reduto lulista), faixas etárias e de renda. Serra é, hoje, incontestavelmente, o postulante mais competitivo ao Palácio do Planalto. Ponto.
Já esperado, também, era o crescimento da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, a candidata de Lula e do PT, carregada pelo presidente, para cima e para baixo, e presente no noticiário de rádio, jornal, TV e internet há meses a fio, dia sim, outro também. Esses 11% da petista, que já foram 3% e 8% até bem pouco tempo atrás, não demorarão a bater na casa dos 30%, o tradicional teto atingido pela votação histórica do PT.
E aí é que são elas: como vêm mostrando as últimas eleições presidenciais no Brasil, cerca de um terço do eleitorado é petista e vota nos candidatos do partido (ou seja, até então sempre em Lula e, agora, provavelmente em Dilma); um terço, por sua vez, é anti-PT e não engole o partido da estrelinha de jeito algum; a chave da vitória de quem quer que seja está nos 33% restantes da massa de eleitores, que apoiam o PT ou seu adversário direto, dependendo do momento. Eis o segredo das vitórias do atual presidente em 2002 e 2006.
Hoje, 23 de março de 2009, a mais ou menos um ano e meio da eleição, não há dúvida de que a maior parte desse “último terço” de eleitores está ao lado de José Serra – e, por isso, ele seria o próximo Presidente da República se o pleito fosse amanhã. Resta saber se a popularidade de Lula (que ainda pode sofrer mais abalos até outubro de 2010, por que não?) será capaz de transferir os votos que faltam a Dilma, uma candidata que jamais disputou sequer eleição para síndica de prédio. Em 2008, por exemplo, isso não aconteceu em São Paulo nem com Marta Suplicy, ex-prefeita e ex-ministra, que tomou uma surra no segundo turno mesmo exibindo Lula a tiracolo em tudo quanto é comício pela cidade. E olha que ela era bem mais conhecida que a Dilma, hein!
É óbvio que a coligação PSDB/DEM/PPS não pode, de forma alguma, cantar vitória antes do tempo – até porque, ao contrário do PT, lamentavelmente o bloco ainda não tem sequer a certeza sobre quem será seu candidato. Mas neste momento o favoritismo está mesmo todo com a oposição, que provavelmente só perderá a eleição se os tucanos fizerem alguma besteira muito grande.
Aí é que mora o perigo. Tratando-se de PSDB, a chance de fazer lambança não é nada desprezível. Vide Geraldo Alckmin em 2006 e 2008 e, agora, Aécio Neves com seus empolgantes... 17%! Haja pão de queijo para chegar nos 40 e tantos por cento de Serra, né?
Resumo da marola, ops, da ópera: José Serra continua sendo o franco favorito a vencer as próximas eleições presidenciais no Brasil, mas os tucanos trapalhões são capazes de pôr tudo a perder – é o que chamo de “fator PSDB”. Essa é a grande chance de Dilma.
A avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu nove pontos percentuais, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta-feira.
De acordo com o levantamento, em dezembro, 73% avaliaram o governo como ótimo ou bom, contra 64% que tiveram essa avaliação em março deste ano. Outros 10% avaliaram como ruim ou péssimo e 25% como regular.
A popularidade do presidente Lula também caiu de 84% em dezembro para 78% neste último levantamento. Outros 19% desaprovam a maneira do petista governar e 3% não opinaram sobre o assunto.
A nota média de Lula em março foi de 7,4. Na comparação entre o primeiro e o segundo mandatos do presidente, houve empate técnico entre os que consideram melhor ou igual - 41% consideram melhor, 40% igual e 18% pior.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 11 e 15 de março, em 144 municípios do país. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Datafolha Pesquisa Datafolha divulgada hoje também mostra uma queda na avaliação positiva do governo federal. A piora da crise econômica mundial fez a aprovação ao governo Lula cair cinco pontos percentuais --de 70% para 65%.
O levantamento revela também que o percentual de brasileiros que tomaram conhecimento da crise subiu de 72% para 81%, em relação a última pesquisa divulgado em novembro do ano passado.
O Datafolha ouviu 11.204 pessoas entre os dias 16 e 19. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
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- Da Folha:
Serra lidera corrida presidencial com folga
O governador paulista, José Serra (PSDB), mantém ampla liderança em todos os cenários em que aparece na mais recente pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial de 2010, com taxas que variam de 41% a 47%, conforme o questionário. Mas a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), voltou a crescer, de 3 a 4 pontos percentuais, dependendo da situação.
No primeiro cenário do Datafolha são apontados como candidatos, além de Serra (41% das intenções de voto) e Dilma (11%), o deputado federal Ciro Gomes (PSB), que oscilou um ponto e teria hoje 16%, e a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL), que perdeu três pontos e aparece com 11%.
Há um ano, nesse mesmo levantamento, Dilma tinha apenas 3% das intenções. Em novembro de 2008, ela subiu para 8% e agora atinge 11%. Serra tinha 38% em março de 2008 e ficou estável, com 41%, nos dois mais recentes levantamentos.
Hoje, Serra seria mais bem votado no Sudeste (45%) e no Sul (44%) e menos votado no Nordeste (34%). Já Dilma tem melhor desempenho no Nordeste (14%) e no Centro-Oeste (13%) e o pior no Sudeste (9%).
"Heloísa Helena é a única que perde pontos agora e Dilma é a única que sobe. O crescimento dela é contínuo desde março de 2008", diz Mauro Paulino, diretor do Datafolha. "À medida que vai se tornando mais conhecida e associada como candidata do presidente a tendência é que cresça."
Desde o começo do ano, Dilma intensificou viagens e agendas. Sua candidatura é defendida pela maior parte do PT. No PSDB, apesar da proposta de prévias, reportagem da Folha mostrou que a candidatura Serra também é a mais forte até o momento.
No cenário em que a campanha ficaria polarizada entre Serra e Dilma, com apenas Heloísa Helena como terceira candidata, o tucano permaneceu com 47%. Dilma subiu três pontos, chegando a 13%, enquanto Heloísa Helena oscilou de 17% para 15%. Elas estão empatadas tecnicamente.
Entre aqueles que podem concorrer em 2010, Serra é o mais lembrado de forma espontânea pelos eleitores, com 6%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é citado por 25%. Dilma e o governador mineiro, Aécio Neves (PSDB), são citados por 3%. Para 1% dos entrevistados, o voto irá "para quem o Lula apoiar/indicar".
Aécio Em dois cenários, o candidato tucano é o governador Aécio Neves (MG). Ele defende prévias para a escolha do candidato do PSDB e sugeriu viagens pelo país para discutir o assunto. No primeiro cenário com Aécio quem lidera é Ciro Gomes, que manteve os 25% apurados no último levantamento. Heloísa Helena oscilou de 19% para 17% agora, empatando com o governador mineiro, que já tinha atingido esse percentual em novembro. Dilma se aproximou dos dois e atingiu 12% _contra 9% em novembro e 4% em março de 2008.
Outro cenário apresenta Heloísa Helena (26%), Aécio (22%) e Dilma (16%). Esse foi o caso em que a ministra apresentou sua maior subida, de quatro pontos, já que tinha 12% em novembro passado.
A última hipótese apresenta todos os candidatos, inclusive Serra e Aécio, o que não seria possível a menos que um deles mudasse de partido. O governador paulista lidera com 35%. Os outros estão tecnicamente empatados: Ciro (14%), Aécio e Heloísa (12%) e Dilma (11%).
A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
“O carnaval de 2009 pode ter acabado, mas este ano os fãs de Los Hermanos devem festejar em pelo menos mais duas noites: 20 e 22 de março, respectivamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Essas duas datas - dentro do festival Just a Fest, que ainda terá Kraftwerk e Radiohead - marcam a primeira vez que Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo (guitarras evocais), Bruno Medina (teclado) e Rodrigo Barba (bateria) se apresentarão em público desde o anúncio do recesso do grupo, em abril de 2007. Só que por enquanto ninguém fala sobre a possibilidade de mais shows ou de uma retomada da carreira.
A ideia de reunir a banda carioca veio de uma conversa entre Luiz Oscar Niemeyer, da produtora Planmusic, e Simon Fuller, o empresário dos músicos. "Eu buscava algo forte para compor um line up especial. Esta reunião dos Los Hermanos acrescenta muito ao festival, artisticamente", diz Niemeyer, acrescentando que convencera banda não foi uma tarefa das mais complexas. "Não foi difícil. A possibilidade de tocar na mesma noite com o Radiohead motivou a todos, e de certa forma facilitou as coisas."
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Comentário do blogueiro: Com todo respeito ao Radiohead, que é mesmo muito legal, para mim a grande notícia do fim de semana é a volta de Camelo, Amarante, Medina e Barba ao palco, juntos pela primeira vez desde o anúncio do recesso, há quase dois anos. Não é pouca coisa, né?
Para evitar decepções futuras, prefiro sequer cogitar a possibilidade do retorno definitivo em breve – até porque, pelo menos por enquanto, não há mesmo nenhuma sinalização do quarteto nesse sentido –, mas é impossível deixar de alimentar o desejo de vê-los novamente em ação.
Ciente de que Los Hermanos faz parte daquele grupo de bandas controversas que despertam paixão e ódio em proporções avassaladoras, devo admitir que, sim, sou e sempre fui fã da banda – desde o primeiro CD, aquele da “Anna Julia”, de 1999 – e reputo o grupo como uma das melhores coisas que a música brasileira produziu na última década.
“Bloco do Eu Sozinho” (2001) e “4” (2005) são excelentes, trabalhos de primeiríssima qualidade, bem acima da média das bandas nacionais nos últimos tempos. E “Ventura”, penúltimo álbum lançado, em 2003, é simplesmente antológico, sem qualquer exagero. Aos olhos e ouvidos deste blogueiro, Los Hermanos teve uma trajetória tão meteórica quanto brilhante.
Já que o título da reportagem da Rolling Stone ali em cima fala em um “Carnaval fora de época”, que tal ouvirmos “Todo Carnaval Tem Seu Fim” para matar um pouco a saudade? É, pois, a música desta semana no blog.
Já está confirmado que Taís Araújo será a Helena da próxima novela de Manoel Carlos, que será intitulada Viver a Vida e será exibida pela Globo. Pois bem, parece que Helena já tem um rosto para seu novo amor.
Segundo o jornal O Dia, o par romântico de Taís na novela será interpretado por José Mayer, e seu personagem se chamará Marcos. Acontece que a nova Helena será uma modelo fotográfica internacionalmente famosa que é reconhecida no mundo inteiro devido às diversas capas de revista que já fez.
Ela terá passado por alguns relacionamentos, chegando a morar junto com um de seus namorados. No entanto, é pelo personagem de Mayer que ela se apaixona. Marcos é pai de uma garota que está começando na carreira de modelo, e é justamente a filha que o apresenta à Helena. Os dois se casam e passam a viver juntos.
A última Helena de Maneco foi interpretada por Regina Duarte em Páginas da Vida, também da Globo. O último trabalho de Taís e Mayer na televisão foi em A Favorita, da emissora global, onde eles viviam Alícia e Augusto César respectivamente. Mas vale lembrar que não é a primeira vez que o ator corre atrás de uma Helena criada por Manoel Carlos: na verdade, é a sexta!
**** Comentário do blogueiro: Nem preciso dizer aqui, mais uma vez, que não vejo a hora de acabar essa chatice da novela da Glória Perez para que Manoel Carlos volte ao horário nobre global.
Apesar da reprise de Mulheres Apaixonadas recentemente no ar pelo Vale a Pena Ver de Novo, três anos é muito tempo sem Maneco na TV – sua última novela, vocês sabem bem e a reportagem aí em cima confirma, foi Páginas da Vida, no longínquo ano de 2006, o primeiro de vida deste blog.
Confesso que Taís Araújo como Helena me deixa um pouco surpreso – sempre vi as Helenas do Maneco como mulheres maduras, experientes, tipo uma Helena Ranaldi, que a meu ver está prontinha da Silva para interpretar a personagem que leva seu nome verdadeiro. Mas não custa dar um voto de confiança, né?
E o Zé Mayer, hein? Todo mundo diz que o Manoel Carlos é sempre óbvio e previsível: aquela mesma panelinha de atores, e tome Leblon na cabeça e Zé Mayer no papel de pegador-destruidor-de-corações. Ora, mas esse é mesmo charme, ué! Maneco é assim: muitos falam mal e reclamam da eterna repetição, mas todo mundo assiste. Ou não?
- Da coluna de Renato Maurício Prado, em “O Globo” da última sexta-feira:
"Não foi à toa que a Fifa adiou em dois meses a definição das 12 cidades que deverão ser sedes da Copa do Mundo de 2014, no Brasil — o anúncio aconteceria no próximo dia 20 e agora será em maio.
Relatório técnico da Fifa diz que o Brasil não tem 12 cidades em condições mínimas de abrigar jogos do Mundial. Na maioria delas, faltam condições básicas, como rede hoteleira, de hospitais e de transportes em padrões compatíveis com os exigidos pela entidade máxima do futebol.
A famosa sede do Pantanal, por exemplo, está seriamente ameaçada: nem Cuiabá, nem Campo Grande foram consideradas aptas pelos inspetores da Fifa — que se mostram especialmente incomodados com as mais variadas pressões de políticos para eleger esta ou aquela cidade.
É a primeira vez na história das Copas que a definição das sedes e sub-sedes foi adiada.
E já há quem creia que, diante das dificuldades, o Brasil terá que se contentar com as tradicionais 10 cidades para hospedar as partidas de 2014."
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Comentário do blogueiro: E depois ainda me perguntam, com certa dose de espanto, por que sou frontalmente contrário à realização da Copa do Mundo no Brasil. Será que não bastam as explicações da própria Fifa, que se viu obrigada a adiar o anúncio das 12 cidades-sedes da competição por conta da gritante falta de estrutura das postulantes?
Copa-2014 (infelizmente já confirmada) e Olimpíada-2016 (que só virá para o Rio de Janeiro se os inspetores do Comitê Olímpico Internacional estiverem muito doidões) não passam de engodo utópico de quinta categoria em um país que até hoje não conseguiu resolver, por exemplo, o problema da violência nos estádios de futebol ou a questão do simples cumprimento do Estatuto do Torcedor – lei aprovada pelo próprio governo Lula em 2003.
A candidatura vitoriosa no Brasil junto à Fifa e, agora, a que se apresentou ao COI para tentar trazer os Jogos Olímpicos para o Rio atendem ao único propósito de fazer essa gente enriquecer às custas de um sonho impossível. Como acreditar na seriedade de uma empreitada comandada por Carlos Arthur Nuzman, Ricardo Teixeira, Orlando Silva Júnior, entre outros? Que o digam o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União, que já conhecem muitíssimo bem essas figurinhas carimbadas...
A traumática experiência do Pan do Rio, em 2007, evento que não deixou nenhum legado social ou esportivo à Cidade Maravilhosa (ao contrário: sobraram verdadeiros “elefantes brancos”, como o Engenhão, o Complexo Maria Lenk e o Velódromo, só para citar os exemplos mais escandalosos), acende o sinal vermelho para o que nos espera nos próximos anos. É de assustar.
“No dia 17 de março(terça-feira), por iniciativa da Liderança do PPS na Câmara, haverá sessão solene em comemoração dos 87 anos de fundação do PCB/PPS, a partir das 19h, no plenário 1º de Maio.
A festa é aberta a todos os militantes e simpatizantes do PPS. Estarão presentes os parlamentares do partido, além de lideranças nacionais como o presidente Roberto Freire. Também haverá homenagem à Coordenação Nacional de Mulheres do PPS e ao presidente de honra do partido em São Paulo, o jornalista Moacir Longo, representando todos os militantes históricos do Partidão.”
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Comentário do blogueiro: muita gente não sabe, mas o Partido Popular Socialista (PPS), ao qual este blogueiro é filiado há mais de dois anos, nasceu em 1992 a partir do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partidão velho de guerra.
Apenas três meses após sua fundação, em julho de 1922, o antigo Partidão foi posto na ilegalidade, retomando a condição legal somente em 1945, com a queda do nazi-fascismo, na Europa, e do Estado Novo, no Brasil. Em 1947, sob o governo Dutra, o partido tem seu registro novamente cassado e, mesmo assim, luta para seguir participando da vida política brasileira. Em meados dos anos 1980, o PCB volta à legalidade.
Há 17 anos, pouco depois do fim da União Soviética, assim como ocorreu com vários partidos comunistas em todo o mundo, o antigo PCB iniciou um processo de revisão histórica de várias posições até então caras ao partido – e, a partir dessa espécie de “refundação”, o nascimento do atual PPS foi inevitável.
Pioneiro, o PCB/PPS foi o primeiro partido de esquerda da história do país e também o primeiro a reconhecer, no início dos anos 1990, o fracasso do modelo socialista da URSS. Já como PPS, abandonou definitivamente ideais autoritários muito comuns nos regimes comunistas, destacando a inevitabilidade da globalização e ressaltando a importância da busca contínua por desenvolvimento e justiça social.
Parabéns, Partidão, pelos 87 anos de fundação. E ao PPS, adolescente de 17 anos, pela maturidade com que encampou algumas das principais bandeiras de uma esquerda plenamente democrática.
Para evitar o repeteco de Marcelo D2, vamos agora de Raul Seixas, que surpreendentemente aparece pela primeira vez, se a memória não falha, nesta seção do blog.
Mas o propósito da canção e a homenagem ao personagem da semana continuam os mesmos. Afinal, só deu Ronaldo: aqui, no campo e no papo de botequim.
“Sempre defendi tanto dentro de mim quanto em mesas de bar as cores do meu time. Muitas vezes lutando contra a estupidez irrefreável da passionalidade, outras tantas ignorando a crueza inegável da realidade. Como ser fiel ao seu desejo e não ser tendencioso na leitura dos fatos? A objetividade de um placar não luta contra a subjetividade do que não se conta nos dedos da mão. A vida se vive tanto com o que se vê quanto com aquilo que voa na imaginação.
Disse tudo isso para tentar explicar e entender a beleza inesperada do que me aconteceu no domingo. Sentado em frente à televisão para assistir ao jogo entre Palmeiras e Corinthians, assim que Ronaldo entrou em campo passei a vibrar com cada um de seus lances surpreendentes. Em pouco mais de vinte minutos estava absolutamente envolvido com o destino de sua partida e emocionalmente entregue. Quando a bola que ele cabeceou estufou a rede aos 47 minutos do segundo tempo, enquanto ele corria em direção à torcida para subir no alambrado, eu me vi de pé vibrando, sozinho, no meio da sala.
Pela primeira vez na vida experimentei a liberdade de gritar um gol que não fosse do meu time. Um fenômeno.”
Nando Reis, são-paulino, em sua coluna no Estadão
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Comentário do blogueiro: Pois ontem à noite, saindo mais cedo da Pós, coincidentemente passei em frente ao Pacaembu, lindo, todo iluminado, poucos minutos antes do início de Corinthians x São Caetano, partida que marcaria a estreia de Ronaldo no estádio com a camisa alvinegra. E morri de vontade de descer do carro e comprar o meu ingresso, mesmo que tivesse de apelar aos cambistas.
Em casa, vendo o jogo, lamentei pelo primeiro tempo em que o Fenômeno passou em branco – e a imprensa certamente já começaria a dizer que todos os elogios haviam sido exagerados e a euforia por Ronaldo após o gol contra o Palmeiras não teria passado de exagero ufanista, previ.
Veio o segundo tempo, surpreendentemente com a presença do atacante por mais alguns minutos. Ao contrário da previsão inicial da comissão técnica e dos médicos do clube, ele aguentara mais de 50% da partida em campo. Mais uma prova de superação, e apenas mais uma. De minha parte, recomecei uma incontrolável torcida para que, de novo, Ronaldo levasse a multidão de mais de 30 mil corintianos ao delírio.
Dito e feito. Bastaram míseros cinco minutinhos da etapa final para o Fenômeno balançar as redes pela segunda vez com a camisa do Corinthians. E, assim como aconteceu comigo e com o Nando Reis no último domingo, “me vi de pé vibrando, sozinho, no meio da sala”. Não chega a ser uma crise de identidade, mas que é esquisito, é... Se Ronaldo tivesse voltado ao Brasil para jogar pelo Mengão, confesso que me sentiria muito mais confortável.
O próximo passo é vê-lo bem de pertinho, in loco mesmo, lá no Pacaembu, no meio do bando de loucos. Será que encontro o Nando por lá?
Da política à Igreja, nada de novo na República Bananeira
Já escrevi muito isso aqui, mas não custa repetir em tom de desabafo: às vezes, a política e a realidade brasileiras são tão óbvias, mas tão previsíveis, mas tão irritantemente monótonas, que até o mesmo o mais otimista dos seres humanos não consegue evitar o desânimo.
Vejamos o noticiário dos últimos dias. O senador Jarbas Vasconcelos, militante histórico de uma respeitável velha guarda do PMDB e autor de denúncias graves de corrupção em seu próprio partido, veio novamente a público para revelar que vem sendo espionado e recebendo ameaças anônimas desde que concedeu a já célebre entrevista à Veja.
Ao invés de um profundo debate sobre a questão do combate ao fisiologismo partidário e às práticas políticas arcaicas no Brasil, o que houve foi uma covarde reação contra Jarbas – com desqualificações pessoais, coisa de nível bem baixo mesmo, típico das oligarquias que por ele haviam sido atacadas, José Sarney e Renan Calheiros à frente.
Falando no atual e no ex-presidente do Congresso, aliás, foi justamente a dupla dinâmica que fecha o parágrafo anterior que protagonizou o retorno de Fernando Collor de Mello, presidente da República cassado por impeachment em 1992, ao centro do poder, comandando a Comissão de Infraestrutura do Senado Federal – tudo com a bênção de Luiz Inácio Lula da Silva, dá para acreditar?
Dá sim. E o esquema é bem simples de explicar: o PTB, atual partido de Collor e integrante da base aliada do governo Lula, cobrou a presidência da tal Comissão em troca de seu apoio à eleição de Sarney ao comando do Senado. O PMDB aceitou o acordo e despejou votos em Collor, que acabou derrotando a candidatura da petista Ideli Salvatti.
Lula, por sua vez, com medo de perder o apoio peemedebista a Dilma Roussef em 2010, lavou as mãos e abandonou a correligionária Ideli, não movendo uma mísera palha para que a senadora catarinense fosse eleita presidente da Comissão de Infraestrutura – atitude que o presidente recordista em popularidade já havia tomado em detrimento a outro petista, Tião Viana, na disputa pelo posto mais importante do Senado contra... José Sarney. Bingo!
E o que dizer, então, do patético e quixotesco delegado Protógones Queiroz, da Polícia Federal, alçado à condição de herói nacional por ter comandado a Operação Satiagraha, que levou o banqueiro Daniel Dantes à prisão no ano passado?
Apoiado incondicionalmente pela mesma turma da imprensa que mama nas tetas do governo federal e achincalha Jarbas Vasconcelos para defender Sarney, Renan e Lula, Protógones usou arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para bisbilhotar a vida de gente como José Dirceu, José Serra, Fernando Henrique Cardoso e até Dilma Roussef! No Brasil, delegado que diz combater o crime é também criminoso, é mole? É tipo uma nova versão do BBB: o Big Brother Brasília, by Protógenes.
E não paramos por aí: enquanto Lula desfila com sua candidata pelos quatro cantos do Brasil inaugurando obras – reais ou virtuais – do PAC, o maior partido de oposição do país, o PSDB, que conta com o mais competitivo pré-candidato à Presidência da República em 2010 (José Serra, líder em todas as pesquisas de opinião), repete a guerra interna de 2006, quando Geraldo Alckmin peitou o atual governador de São Paulo e foi esmagado por Lula na eleição. O desafiante da vez atende pelo nome de Aécio Neves e posa de conciliador e bom moço vindo das aprazíveis Minas Gerais.
O raciocínio dos tucanos deve ter alguma lógica, senão vejamos: eles têm o candidato mais forte, Serra, com cerca de 42% das intenções de voto de acordo com os principais institutos de pesquisa, mas ameaçam escolher Aécio, forte em Minas e fraco no resto do Brasil, que aparece com seus míseros 12%. Não é brilhante? E as prévias vêm aí! A verdade é que, com uma oposição dessas, o PT tem tudo para ficar mais uns... 50 anos no Palácio do Planalto.
O show de obviedades e histórias tragicômicas que se repetem por essas bandas só poderia mesmo ser coroado com mais uma barbaridade reacionária, covarde e criminosa assinada pela Igreja Católica. Todos sabem do caso envolvendo a menina de 9 anos estuprada pelo padrasto e que, obviamente, teve de fazer o aborto de gêmeos em nome da própria vida.
Pois bem. A legislação brasileira, ainda atrasada a ponto de não permitir o aborto em outros casos, libera, no entanto, a prática quando a mãe é vítima de estupro. Mas o arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, decidiu excomungar (!) a mãe da garota e os médicos responsáveis pelo procedimento. De quebra, disse em alto e bom som que abortar é um pecado mais grave do que estuprar!!! Dizer mais o quê, né?
Às vezes, a política e a realidade brasileiras são tão óbvias, tão previsíveis, tão monótonas, que até o mesmo o mais otimista dos seres humanos não consegue evitar o desânimo. Sim, eu sei que já escrevi isso antes. E, infelizmente, tenho certeza de que ainda vou escrever muitas outras vezes.
EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA – O DIA EM QUE FUI CORINTIANO POR ALGUNS MINUTOS
Foto: Marcos Ribolli / Globo Esporte.com
‘Sou Ronaldo’ Marcelo D2
Sou Ronaldo Muito prazer em conhecer Eu sou Fenômeno Ronaldo Nazário dos Campos E quero muito agradecer a Deus por ter me escolhido no meio de tantos Igual a todo brasileiro, eu sou guerreiro Às vezes caio, mas eu me levanto (é, parceiro) Mas eu me levanto
Sou Ronaldo O desafio sempre esteve e estará em minha vida E eu já nem me espanto E se o mundo é uma bola, a gente tem que entrar de sola pra ganhar o campo Eu não me intimido e parto pra cima E só me contento ao ouvir a galera entoando esse canto
Rooooooooooooooooo, Ronaldo é gol Rooooooooooooooooo, Ronaldo é gol
Sou Ronaldo Nasci no Rio de Janeiro Alô-alô, Bento Ribeiro, minha área Eu sou Ronaldo Jogo na linha, a nove é minha Ninguém tasca eu vi primeiro Artilheiro, eu sou Ronaldo O meu desejo é ser criança E não perder a esperança de ver o jogo mudar Eu sou Ronaldo A minha fome é de bola A minha sede é de gol Balança a rede, eu sou Ronaldo Sou de suar minha camisa Conquistar minha divisa Eu já provei que eu sou Ronaldo E se você não acredita que eu não sou de fazer fita É só esperar pra ver (ver, ver, ver...)
Rooooooooooooooooo, Ronaldo é gol Rooooooooooooooooo, Ronaldo é gol
E quando o tempo é de Copa Os gringo fica ligado Mais de 170 milhões são Ronaldo R9, todo mundo sabe: Homem-gol! Tu é Ronaldo, o Brasil é e eu também sou Qualquer problema, meu cumpade Tiro de letra Tô sempre pronto Já ouviu? A pátria tá de chuteira Perrengue a gente passa Eu nunca tô de bobeira A bola quica Eu pego ela de primeira
Rooooooooooooooooo, Ronaldo é gol Rooooooooooooooooo, Ronaldo é gol
"Precisamos de direitos iguais para todos. Acho que é hora de vocês, que votaram pela proibição do casamento gay, sentarem e refletirem, pensando em sua enorme vergonha e na vergonha dos seus netos, caso continuem assim." Sean Penn
**** Comentário do blogueiro: que mané “Quem Quer Ser um Milionário?”, que nada! Ainda não vi o filme consagrado na cerimônia do Oscar, mas já não gostei dele de antemão, porque me lembra muito a novela da Glória Perez que está no ar em horário nobre atualmente, hehehe... E a Lui também não curtiu. Pronto, agora não gostei mesmo!
Tive a sorte é de ver “Milk”, de Gus Van Sant, e também os bons “O Leitor” e “O Casamento de Rachel”. E não tenho dúvidas sobre qual foi o melhor filme do ano passado, mesmo sabendo que ainda falta assistir a “O Curioso Caso de Benjamin Button” (que parece bem chato) e “Frost/Nixon” (que parece bem legal).
O melhor de todos eles, na boa, só pode mesmo ser “Milk”, que ganha cinco pitacos na tradicional avaliação do blog, muito por conta da atuação inacreditável do monstro Sean Penn. É de arrepiar, como foi de arrepiar seu discurso após receber a estatueta de melhor ator do ano pela Academia. Elegante, digno, crítico e sensível. Um monstro, um monstro!
Ah, e por falar em atuação inacreditável, é preciso, sim, chover no molhado, e dizer que Kate Winslet, finalmente premiada como melhor atriz, dá mesmo um show em “O Leitor”. Dou três pitacos para o filme, talvez até quatro, mas ela está realmente estupenda, quase tão boa quanto Sean em "Milk". E linda, como sempre.
Mas se quiserem saber, de verdade, o que presta e o que não vale a pena entre todos esses filmes de que falei aí em cima, deem uma passada no blog da Lui, que entende pra valer desse troço.
Este blogueiro cresceu em uma família em que as mulheres sempre foram maioria – tanto que sou o único filho homem, o caçula, com duas irmãs mais velhas. E, desde a escola, passando pela faculdade, sempre tive bem mais amigas do que amigos. O panorama não mudou até hoje.
Vocês sabem bem que o blog apoiou firmemente a pré-candidatura de Hillary Clinton à Presidência dos Estados Unidos em 2008 – mesmo contra o fenômeno midiático Barack Obama, que acabou levando a melhor nas prévias e, felizmente, no duelo final com o republicano John McCain. Mas vibrei muito com a nomeação da senadora por Nova York para a Secretaria de Estado.
Em 2006, no pleito que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva, votei e fiz campanha no primeiro turno para Heloísa Helena, do PSOL. Isso provavelmente não se repetiria se a eleição presidencial de 2010 fosse hoje (e não quer dizer que esteja pensando, por exemplo, em votar em Dilma Roussef no ano que vem – na-na-ni-na-não!), mas mantenho profundo respeito e grande admiração pela ex-senadora por Alagoas. E pelo passado de Dilma, por que não?
Isso sem falar em Cristina Kirchner, na Argentina, e Michelle Bachellet, no Chile, presidentes eleitas democraticamente em seus respectivos países, além de Segoléne Royal, que também contou com a humilde torcida deste blog na disputa em que foi derrotada por Nicolas Sarkozy, atual presidente da França. E de Soninha Francine, ora bolas, por quem torci, fiz campanha e em quem votei com muito orgulho para prefeita de São Paulo em outubro de 2008.
Lembrei rapidamente dos posicionamentos políticos do blog em recentes disputas eleitorais, mas poderia escrever um texto enorme falando de minhas musas brasileiras no esporte, na música, na TV ou no cinema, só para ficar em assuntos que estão próximos a mim. Alguém já ouviu falar por aí de uma tal Scarlett Johansson? E o que dizer, então, do apoio a Gyselle contra Rafinha e a Carol contra Alemão nas duas últimas edições do "paredão final" do BBB, hein?
Pois, às vésperas do dia 8 de março, mantendo a tradição deste blog desde sua fundação (vejam aqui e aqui), a música da semana é dedicada às mulheres da minha vida (mamãe, Thá, Carol e Cynthia), às amigas queridas que costumam passar ou não por aqui e, claro, a todas as mulheres que certamente fazem do planeta um lugar melhor a cada dia. E que farão muito mais, podem apostar.
Sintam-se, vocês todas, homenageadas pela mulher que não vem saindo da minha cabeça – e do CD do rádio do carro – nos últimos meses: Teresa Cristina, sambista da melhor qualidade, linda, inteligente, divertida, portelense (a maior de suas virtudes), agora grávida e apaixonada por futebol e pelo Vasco da Gama (tudo bem, ninguém é perfeito, mas o Mengão perdoa).
Desde a última quinta-feira, primeiro dia pós-Carnaval, o blogueiro encontra-se recarregando as baterias em seu tradicional refúgio em Ubatuba. E o mais incrível é que, sim, faz sol, e muito sol, na quase sempre chuvosa cidade do litoral norte paulista.
Por conta disso, vem sendo um pouco mais difícil sentar diante do computador e atualizar os meus pitacos – embora tenha conseguido até publicar a bela música da semana passada e, há alguns minutos, um texto sobre o novo trabalho dos Paralamas do Sucesso.
Ainda tem muito assunto na fila – destaque especial para o novo discurso histórico de Jarbas Vasconcelos que acontece neste momento na tribuna do Senado Federal –, mas só vou dar meus palpites assim que voltar à cidade grande, provavelmente na manhã da próxima sexta-feira. Caso contrário, vou à falência só pagando lanhouse!
Até lá, tome mais sol na cabeça e água de coco para refrescar um pouquinho, né? Porque ninguém é de ferro e, afinal de contas, não dizem mesmo que o ano só começa bem depois do Carnaval?
O meu 2009 tem início programado para segunda-feira que vem, dia 9, com a primeira aula da tão prometida Pós em Política e Relações Internacionais. Agora vai!
Nota da redação: o blogueiro viajou a convite próprio, hehehe. Mas arrastou consigo sua companheira inseparável de aventuras litorâneas, que também é bem chegada a uma boa praia para recuperar as energias.
Bi, Herbert, Ivete, Barone e Brown: Paralamas com mais gosto de Brasil
- Da Agência Estado:
Após 4 anos, Paralamas do Sucesso lança novo álbum
Não é a primeira nem será a última vez que o Paralamas do Sucesso desbrava o território brasileiro. Desta vez, com o lançamento de Brasil Afora, o trio formado por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone escancara em letras e sons as diversas caras e etnias espalhadas pelo País. O disco vem após um silêncio de quatro anos, tempo necessário para que o grupo pudesse sair em turnê pelo Brasil, armasse um projeto na estrada com os Titãs e gravasse um especial da MTV com a banda Calypso.
“Começamos a pensar nesse álbum no início de 2007, mas logo surgiu o convite de sair em turnê com os Titãs. Não conseguimos recusar”, falou, por telefone, o baixista Bi Ribeiro. O disco traz características intrínsecas da banda nas suas 11 faixas. Convidados como Carlinhos Brown e o produtor Liminha, velhos conhecidos do trio, também batem seu cartão. “Até acho que poderíamos escolher um produtor que trouxesse um som mais moderno, mais novo”, desabafa Bi.
“Mas o Herbert e o João fizeram muita questão de trabalhar novamente com o Liminha. Ele nos conhece bem, dá uma segurança, é uma garantia de som bom... e mora do lado de casa. ” De novidade, Bi fala da concepção estética do disco e videoclipe, produzidos por artistas da nova geração carioca. Já a participação de Carlinhos Brown veio naturalmente. “Chamamos ele para compor duas músicas com a gente, para relembrar aquele momento que foi Uma Brasileira. Mas aí ele apareceu com duas canções prontas e acabamos nos apossando delas”, diverte-se o baixista.
Bi fala de Sem Mais Adeus e Quanto Tempo, gravadas em Salvador, um dos locais onde o Paralamas produziu o novo trabalho - na outra ponta esteve o Rio de Janeiro. Outro convidado que surge é Zé Ramalho, na faixa Mormaço. O encontro entre os artistas aconteceu no projeto beneficente Loucos por Música - em que dois nomes da música brasileira dividem o palco -, que cuida de pessoas com deficiência mental no Rio de Janeiro. “A música cita a Paraíba. Lembramos de cara do Zé Ramalho. Parece que a música foi feita pra ele.”
**** Comentário do blogueiro: Como diz o início da reportagem, “não é a primeira nem será a última vez que o Paralamas do Sucesso desbrava o território brasileiro”. E, geralmente, quando isso acontece dá para esperar coisa boa vindo por aí.
Ao contrário dos Titãs, de quem este blog falou alguns posts lá para baixo, o trio formado por Bi, Barone e Herbert não entrou em nenhuma fase de decadência após o boom dos anos 1980. Ao contrário: a década de 1990 talvez tenha sido até mais produtiva para os Paralamas, que emplacaram vários sucessos em território brasileiro sobretudo a partir de 1995, depois de um período de “exílio” altamente bem sucedido por toda a América Latina, com destaque para a Argentina, onde são ídolos até hoje.
O acidente que vitimou Herbert Vianna em 4 de fevereiro de 2001 poderia ter representado para a banda, guardadas as devidas proporções, o que foi para os Titãs a morte de Marcelo Fromer no mesmo ano. Mas não: Herbert escapou com vida e, sabe-se lá como, voltou aos palcos para continuar à frente do trio mais brilhante do rock nacional dos últimos 20 e poucos anos.
Em 2002, saiu “Longo Caminho”, trabalho cheio de canções já prontas desde antes do acidente e que, a meu ver, não decepcionou, pois trouxe “O Calibre”, “Seguindo Estrelas”, “Cuide Bem do Seu Amor” e a maravilhosa “Amor em Vão”. O álbum “Hoje”, de 2005, também é bom, embora não tenha tocado tanto quanto “Longo Caminho”. E, agora, é a vez de “Brasil Afora”.
Os Paralamas do Sucesso só estão aí até hoje porque jamais deixaram de se reinventar ou buscar uma batida nova. É o que parecem ter feito de novo ao viajar pelo Brasil. Como não acreditar que brilharão mais uma vez?