Vou mais uma vez ao Rio de Janeiro e estarei de novo no Maracanã na próxima semana, desta vez para assistir bem de perto ao show do Rei Roberto, mas acho que não volto aos meus pitacos para contar como foi.
Para encerrar, depois de centenas de posts e 1.350 comentários cravados em quase três anos de blog, desde 31 de outubro de 2006, fica uma despedida em grande estilo: Roberto Carlos e Caetano Veloso cantando um dos belos hinos da Bossa Nova. Porque, afinal de contas, o Rio vem aí, né?
Senhoras e senhores, chega de saudade. Nos vemos por aí.
Confesso que não me lembro de ter repetido o mesmo cantor ou banda nesta seção do blog por duas semanas consecutivas. Mas ele merece, né?
Não, minha favorita de Michael Jackson não é “Thriller”, “Bad” nem a belíssima “Will You Be There”, que publiquei aqui na sexta-feira passada.
Para a minha geração, “Black or White”, de 1991, talvez tenha sido a música mais marcante de seu vasto repertório. Ela faz parte de um álbum brilhante, “Dangerous”, que não recebeu o devido tratamento por parte da crítica internacional, embora tenha sido um absoluto sucesso de público nos EUA e no mundo. Azar dos críticos.
Na época, então um garotinho de 8 anos, eu gostava muito da melodia contagiante, dos passos incríveis de Jackson e da participação no clipe do Macauley Culkin, protagonista do filme "Esqueceram de Mim", que também fazia um baita sucesso. Lembro de ter acompanhado as reportagens sobre a visita do cantor ao Rio de Janeiro e a Salvador, em 1993, em que o clipe dessa música foi exibido dezenas de vezes pelo Fantástico.
Mas não demorou muito para que eu passasse a ter a exata dimensão do que representava “Black or White” para a sociedade norte-americana do início dos anos 1990, que ainda estava longe, muito longe, de sonhar eleger um presidente negro. É claro que se tratava não de uma simples música, né? Era um hino, uma bandeira, como tantos assinados por esse gênio.
Como o assunto de sua morte ainda não se esgotou e já que toda homenagem é pouca diante de seu talento, vamos de “Black or White”, por que não? Ora, Michael Jackson ainda vive.
Quando o Corinthians conquistou o título da Série B, no fim do ano passado, escrevi aqui mesmo que os comandados de Mano Menezes dariam muito trabalho em 2009.
Até arrisquei o palpite de que os corintianos comemorariam o título do Paulistinha nesta temporada. E, de fato, a bola de cristal funcionou, e eles foram campeões estaduais.
Só não esperava, confesso, que Ronaldo e companhia terminassem o primeiro semestre levantando um troféu nacional importante, menos de um ano depois do retorno à Primeira Divisão.
Pois eles conseguiram. Acabaram de ser campeões da Copa do Brasil pela terceira vez. E esta noite será impossível dormir em São Paulo.
Às vésperas do ano em que comemora seu centenário, o Corinthians tem um time pronto. É o mais forte de São Paulo, disparado, e um dos três melhores do país – tanto que superou em dois jogos decisivos o melhor elenco do futebol brasileiro, do Internacional.
Se mantiver a base, reforçá-la com dois ou três bons jogadores e, principalmente, se Mano Menezes continuar no clube (e não tem por que não continuar), 2010 tem tudo para ser o ano mais importante da história alvinegra. E não há como não ter medo disso. Toc-toc-toc!
Não quero nem imaginar essa possibilidade, mas se o Corinthians for campeão da Libertadores no ano que vem, juro que eu fujo do país.
“Hold Me Like The River Jordan And I Will Then Say To Thee You Are My Friend
Carry Me Like You Are My Brother Love Me Like A Mother Will You Be There?
Weary Tell Me Will You Hold Me When Wrong, Will You Skold Me When Lost Will You Find Me?
But They Told Me A Man Should Be Faithful And Walk When Not Able And Fight Till The End But I'm Only Human
Everyone's Taking Control Of Me Seems That The World's Got A Role For Me I'm So Confused Will You Show To Me You'll Be There For Me And Care Enough To Bear Me
Hold Me Lay Your Head Lowly Softly Then Boldly Carry Me There
Lead Me Love Me And Feed Me Kiss Me And Free Me I Will Feel Blessed
Carry Carry Me Boldly Lift Me Up Slowly Carry Me There
Save Me Heal Me And Bathe Me Softly You Say To Me I Will Be There
Lift Me Lift Me Up Slowly Carry Me Boldly Show Me You Care
Hold Me Lay Your Head Lowly Softly Then Boldly Carry Me There
Need Me Love Me And Feed Me
Kiss Me And Free Me I Will Feel Blessed
In Our Darkest Hour In My Deepest Despair Will You Still Care? Will You Be There? In My Trials And My Tripulations Through Our Doubts And Frustrations In My Violence In My Turbulence Through My Fear And My Confessions In My Anguish And My Pain Through My Joy And My Sorrow In The Promise Of Another Tomorrow I'll Never Let You Part For You're Always In My Heart.”
Juntemos, em uma tacada só, Dustin Hoffman e Emma Thompson, que reeditam suas melhores atuações como há muito não se via, a ponto de terem sido indicados ao Globo de Ouro por seus Harvey e Kate, e estamos diante de um “romance com personagens maduros”, como diz título de uma reportagem reproduzida pelo portal G1 a partir de uma notícia da agência Reuters.
“Tinha Que Ser Você”, dirigido por Joel Hopkins, “é um oásis para os adultos que buscam mais que explosões, tiroteios e correrias quando vão ao cinema”, diz o texto do jornalista Alysson Oliveira. Nada contra explosões, tiroteios e correrias, já que tudo tem sua hora e há gosto para tudo, mas o filme é bem isso mesmo. Um oásis de simplicidade, inteligência e bom cinema.
De zero a cinco, quatro pitacos. A única ressalva é o estupro do título original, “Last Chance Harvey”, mas tudo bem, passa.
E o que dizer, então, de mais um show dos Paralamas do Sucesso, ao vivo e em cores, bem de pertinho? Se a memória não falha, a apresentação do último sábado, no Citibank Hall, antigo Palace, foi a sexta que acompanhei do trio formado por Bi, Barone e Herbert desde 2002. Quase um show por ano, desde o primeiro.
Acho que o de sábado foi o melhor dos seis, mas é sempre assim: invariavelmente, sempre saio de um show dos Paralamas com a impressão de que eles nunca estiveram tão bem. Bom sinal, né?
“Não penso mais no futuro É tudo imprevisível Posso morrer de vergonha Mas eu ainda estou vivo
Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira Quinta-feira, sexta-feira, sábado de aleluia Eu vou lutar, eu vou lutar Eu sou Maguila, não sou Tyson.”
EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA – RICARDO GOMES, A APOSTA POSSÍVEL
Foto: AFP
É claro que Ricardo Gomes não era o meu técnico ideal para suceder Muricy Ramalho no São Paulo. Aliás, longe, bem longe disso, né?
O sonho dos sonhos era Luiz Felipe Scolari, que acabou de acertar com um clube do Usbequistão e anunciou que só volta ao futebol brasileiro em janeiro de 2011, e provavelmente para Grêmio ou Palmeiras.
Depois dele, em minha escala de preferências, vinha Paulo Autuori, o melhor entre todos os treinadores em atividade hoje no futebol brasileiro, que fechou com o Grêmio e está a quatro jogos de conquistar seu terceiro título da Libertadores.
O terceiro, Abel Braga, que nos tirou o tetra sul-americano em 2006 dirigindo o Internacional, não deixa o futebol dos Emirados Árabes, pelo menos não por enquanto.
E aí, quem sobrou? Não muita gente, já que Mano Menezes não sai do Corinthians de jeito nenhum, Emerson Leão está no Sport, Cuca no Flamengo... e, se fosse para contar com Geninho ou Nelsinho Baptista, convenhamos, era melhor ter mantido Muricy no cargo.
Ricardo Gomes não tem, de fato, um currículo repleto de conquistas. Ao contrário: como treinador, só foi campeão da Copa da França (1998), da Copa do Nordeste (1999), da Copa da Liga Francesa (2007) e, pasmem, de uma tal Copa Leonardo da Vinci (2006).
Em clubes grandes do futebol brasileiro, teve passagens discretas e sem bons resultados por Flamengo e Fluminense, ambos em 2004. No comando da seleção pré-olímpica, não conseguiu classificar o Brasil para a Olimpíada de Atenas, naquele mesmo ano. Seu último trabalho foi no Monaco, da França, também sem muito brilho.
De todo modo, prefiro esperar pelo início do trabalho do novo técnico do São Paulo para julgá-lo com mais propriedade. Afinal, currículo é importante, mas não é tudo, né? Não se pode dizer que Muricy Ramalho, tricampeão brasileiro, não tenha um currículo respeitável... e isso jamais foi suficiente para que ele contasse com o apoio deste blogueiro são-paulino, por motivos já mais do que explicados aqui.
Além do mais, independentemente de Ricardo Gomes, é fato que o ciclo de Muricy no Morumbi havia chegado ao fim muito antes da derrota da última quinta-feira para o Cruzeiro. Sem comando do grupo, sem padrão tático, sem bons resultados em competições internacionais eliminatórias, o ex-treinador do São Paulo estava literalmente esgotado. Era mesmo hora de mudar radicalmente as coisas.
E isso serve como apelo à diretoria do clube, que anda fazendo bobagens com frequência impressionante nos últimos anos (entre elas, a de manter Muricy no cargo por tanto tempo): além de trocar a comissão técnica, é preciso mexer muito no elenco. Uma limpeza geral, urgente, é mais do que necessária. É fundamental.
Após um período de conquistas que durou quase quatro anos, com um título paulista, um sul-americano, um mundial e mais três brasileiros, o São Paulo deve colocar a molecada em campo, trazer outros reforços e, principalmente, mandar embora os jogadores acomodados que não estão mais rendendo há meses.
É possível que o clube passe por um período de marasmo, sem grandes conquistas – a chamada fase de transição, de entressafra, tão natural quanto inevitável em momentos de crise. Quanto mais cedo ela começar, tanto melhor. E Ricardo Gomes pode, sim, comandar esse processo, por que não?
Boa sorte a ele, é o que desejo. E sábado que vem, às 16h, contra o Náutico, estarei no Morumbi para ver sua estreia.
EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA – NÃO HÁ MAL QUE DURE ETERNAMENTE. ALELUIA!
Foto: Agência Estado
OBRIGADO, SENHOR!
OBRIGADO, SENHOR!
OBRIGADO, SENHOR!
Obrigado por tudo, boa sorte, tchau e bênção. E quem quiser “o melhor técnico do Brasil”, por favor, fique à vontade. Três anos e meio depois, estamos livres!
Para acompanhar toda a saga deste blog sobre o assunto, com o pouco de bom e o muito de ruim que o blogueiro já escreveu sobre o ex-técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, é só clicar nos sete pitacos anteriores aí embaixo:
EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA – SE É POR FALTA DE ADEUS: VAZA, MURICY
O São Paulo acaba de ser eliminado da Copa Libertadores da América pela quarta temporada consecutiva, novamente caindo diante de uma equipe brasileira, desta vez em pleno Morumbi.
Em 2006, o Tricolor perdeu a final para o Internacional.
Em 2007, parou nas oitavas-de-final contra o Grêmio.
Em 2008, não superou o Fluminense, nas quartas-de-final.
E, agora, em 2009, o algoz foi o Cruzeiro, de novo nas quartas-de-final.
Este foi o 15º campeonato disputado pelo técnico Muricy Ramalho desde que ele voltou ao Morumbi, em 2006. Seu retrospecto até aqui é o seguinte: 12 campeonatos perdidos e três títulos conquistados.
O professor Muricy levantou a taça dos três últimos Campeonatos Brasileiros, ok. E este blogueiro reconheceu publicamente seus méritos, principalmente na conquista do ano passado, quando o time reverteu uma desvantagem de 11 pontos em relação ao então líder Grêmio. Parabéns.
O problema é que o mesmo Muricy perdeu 4 Libertadores, 4 Paulistinhas, 3 Copas Sul-Americanas e 1 Recopa. Faturou 20% dos torneios que disputou. Fracassou em 80%.
Em campeonatos eliminatórios no comando do São Paulo desde 2006, a coisa é ainda pior: Muricy Ramalho tem um aproveitamento de 0%. Sim, isso mesmo, 0%. Disputou 12 mata-matas, perdeu 12, não ganhou nenhum. Aproveitamento ZE-RO %.
Ele poderia perfeitamente ter perdido todos os outros 14 campeonatos se tivesse levantado ao menos uma taça de Copa Libertadores da América. Porque esse é o torneio que vale. É isso, e só isso, o que importa para o São Paulo, que só é um dos maiores do clubes do mundo por causa de seus três títulos continentais e três títulos mundiais. Ponto.
Por toda a tradição, por toda a história do clube e, sobretudo, por todo o investimento feito pela diretoria principalmente para esta temporada – mantendo a base tricampeã brasileira do ano passado e contratando reforços –, é inadmissível o quarto fiasco seguido em Libertadores. Imperdoável. Injustificável.
Este, meus amigos, é o “melhor técnico do Brasil”, como dizem alguns. Os números estão aí. Cada um tira suas próprias conclusões.
A minha conclusão? Ora, já falei de Muricy Ramalho aqui no blog muitas vezes, é só fazer uma rápida consulta nos arquivos aí ao lado. E querem saber? Cansei. Acho que nem o próprio Muricy se aguenta mais, muito menos eu o aguento!
Só volto ao Estádio Cícero Pompeu de Toledo quando no banco de reservas do São Paulo Futebol Clube tivermos um treinador de verdade. Vitorioso, competitivo, competente. Tipo um Paulo Autuori, prestes a ser tricampeão da América. Ou um Abel Braga, outro campeão do mundo.
Com Muricy Ramalho, me desculpem, parei. E também não falo mais dele, não. Já gastei todo o meu repertório com esse enganador. Chega. Fim. Ufa!
Da série nunca-antes-neste-país, by Lula – VERSÃO INTERNACIONAL
Partidário de candidato oposicionista no Irã foi agredido pela polícia e ficou ensanguentado
Esta seção do blog, que andava meio esquecida até bem pouco tempo atrás, parece estar sendo especialmente resgatada nos últimos dias por conta de um esforço realmente notável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Tudo bem que desde o primeiro ano do primeiro mandato, em 2003, quando este blogueiro ainda era petista de carteirinha, Lula já soltava suas bobagens com uma frequência impressionante, é verdade.
Em uma de suas primeiras viagens internacionais, chegou a estranhar publicamente a “limpeza” nas ruas da capital da Namíbia, Windhoek, a ponto de dizer que aquela cidade era “tão limpinha que nem parecia a África”.
Pois anteontem, quase seis anos depois e já na metade de seu sétimo e penúltimo ano como presidente da República, Lula se superou de forma fantástica. Ele resolveu meter o dedo onde não devia – até por prudência, tato, sensibilidade política, inteligência mesmo! – e deu seus pitacos sobre... a eleição no Irã!
“Veja, o presidente [Mahmoud Ahmadinejad] teve uma votação de 61%, 62%. É uma votação muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude. Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos.”
Sério, eu juro que ele falou isso. Juro por tudo que é mais sagrado nesse mundo. Lula disse isso! Claro, claro, é um absurdo “imaginar que possa ter havido fraude” no Irã, né?
Ué, só porque o governo local não permitiu a entrada no país de organizações internacionais independentes que fiscalizassem o processo eleitoral?
Só porque o trabalho dos jornalistas estrangeiros na cobertura das eleições vem sendo completamente censurado?
Só porque os censores iranianos vêm tirando do ar sites de apoio ao candidato derrotado Mir Hossein Mousavi?
Só porque algumas dezenas de partidários de Mousavi desapareceram misteriosamente desde as eleições da última sexta-feira?
Ah, só por isso, né? Bobagem! É claro que tivemos eleições limpas, amplamente democráticas, legítimas, como normalmente acontece em uma democracia consolidadíssima como a iraniana!
É, meus amigos, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se diz “muito preocupado” com as denúncias de fraude eleitoral no Irã, enquanto pessoas morrem nas ruas daquele país por reivindicarem que seus votos sejam contabilizados, enquanto órgãos independentes internacionais exigem transparência do governo Ahmadinejad... Lula diz que tudo não passa de um Flamengo x Vasco.
Por que não se muda, então, de Brasília para Teerã??? Vai para lá, espertalhão! Aproveite e tente fundar um partido político, de esquerda, de oposição, para chegar ao poder 20 anos depois, como aconteceu com o PT aqui no Brasil. E, de preferência, diga que é socialista e defensor dos direitos das minorias étnicas, sexuais e sociais, só para ver o que te acontece por lá.
Falta quanto tempo mesmo para o dia 1º de janeiro de 2011, hein?
A foto premonitória aí em cima foi tirada pela Thá em 18 de agosto de 2007, por ocasião de nossa viagem a Brasília, e publicada por este blog quatro dias depois, em 21 de agosto. O cheiro estava mesmo forte.
Menos de dois anos depois, o presidente do Senado e ex-presidente da República, José Sarney (PMDB-AP), subiu à tribuna da Casa, hoje à tarde, para tentar se defender das acusações de que teria nomeado duas sobrinhas, um neto e a mãe desse neto para cargos em gabinetes por meio dos tais atos secretos, aqueles dos quais ninguém sabe, aqueles que ninguém viu. E há mais de 300 deles, segundo reportagem publicada na semana passada pelo Estadão.
Isso sem contar a farra das passagens aéreas, o uso ilegal da verba indenizatória, o auxílio-moradia e os apartamentos funcionais destinados a parlamentares que já moram na capital federal, as fraudes em convênios com instituições bancárias para a concessão de empréstimos consignados e a explosão no número de diretorias e cargos de chefia, entre outros escândalos.
Isso sem falar no “Renangate”, de junho de 2007, envolvendo o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de receber ajuda financeira de um lobista que teria pago pensão mensal de R$ 12 mil para uma filha de três anos do senador com uma jornalista, além do aluguel de R$ 4,5 mil de um apartamento de quatro quartos em Brasília.
Pois Renan voltou, tão ou talvez até mais forte do que antes, como líder do governo na Casa e um dos principais articuladores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional. Ele e Collor, seu grande amigo de outras épocas.
Para não falar só de uma de nossas Casas legislativas, também vale o destaque para o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), aquele que “se lixa” para a opinião pública, e seu colega Edmar Moreira (sem partido-MG), dono de um castelo - sim, um castelo! - avaliado em R$ 25 milhões.
Como eu disse, a foto lá em cima, tirada em 2007, era mesmo premonitória. E o mau cheiro da atual Legislatura continua fedendo, cada vez mais, infelizmente, como mostra a foto aí embaixo.
A verdade é que José Sarney, 79 anos, 60 de vida pública, antigo inimigo e atual aliado do presidente Lula, é hoje o retrato mais bem (ou mal?) acabado da política brasileira.
Apesar de a Lui, que entende do riscado, não ter gostado muito do filme e ainda por cima ter levantado dúvidas em relação ao talento de Selton Mello, este blogueiro se divertiu muito com a comédia dirigida por Cláudio Torres e co-produzida por Daniel Filho.
O diretor, que já havia acertado a mão no bom “Redentor”, de 2004, fez um filme simples, uma comédia bobinha recheada de bons atores, como Selton, Luana Piovanni, Vladimir Brichta, Maria Manoella, Fernandinha Torres (irmã dele) e Paulo Betti, e que cumpre à risca sua principal missão, a de divertir o público.
“A Mulher Invisível” prova que existe, sim, cinema brasileiro de qualidade fora do circuito alternativo-cult-cabeça-sofisticado-socialmente-engajado-ou-politicamente-militante.
Também há muitos filmes bons assim, é claro, e acho mesmo que é muito legal fazer o público refletir sobre grandes questões, mas “Se Eu Fosse Você" e o próprio “Redentor” estão aí para mostrar que não vivemos só de José Padilha, Fernando Meirelles, Walter Salles, João Moreira Salles ou Eduardo Coutinho. Daniel Filho também é cultura, oras! E que bom que é assim, né?
Aliás, devo confessar que estava muito mais ansioso para ver Selton e Luana em ação no filme de Cláudio Torres, por exemplo, do que estou para assistir ao engajadíssimo documentário “Garapa”.
É simples assim: durante “A Mulher Invisível”, queria que a sessão demorasse ainda muito mais tempo (e demorou mesmo, até porque acabou a luz no cinema - bizarro!); por outro lado, ao ver o novo documentário de José Padilha, tenho quase certeza de que me sentirei bastante incomodado, perturbado, abalado. E não acho que deixar a gente incomodado, perturbado, abalado ou contando os minutinhos no relógio para ir embora para casa seja exatamente um mérito do bom cinema. Enfim.
Mas, voltando ao filme de Cláudio Torres, a Lui que me perdoe, mas o Selton Mello está cada vez melhor. E, sim, há vida inteligente entre os filmes bobinhos brasileiros! De zero a cinco, quatro pitacos.
Dedicada ao meu amor, à minha garota, à minha pequena, à minha melhor amiga, à mulher da minha vida, à mamãe do Raí e da Zoé. À minha Cachinhos.
Se quiserem conferir as homenagens anteriores deste blogueiro apaixonado, dos dias 12 de junho de 2007 e 2008, cliquem aqui e aqui.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
“Um dia a areia branca Seus pés irão tocar E vai molhar seus cabelos A água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir Para ver você chegar E ao se sentir em casa Sorrindo vai chorar
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos Uma história para contar De um mundo tão distante Debaixo dos caracóis dos seus cabelos Um soluço e a vontade De ficar mais um instante
As luzes e o colorido Que você vê agora Nas ruas por onde anda Na casa onde mora
Você olha tudo e nada Lhe faz ficar contente Você só deseja agora Voltar para sua gente
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos Uma história para contar De um mundo tão distante Debaixo dos caracóis dos seus cabelos Um soluço e a vontade De ficar mais um instante
Você anda pela tarde E o seu olhar tristonho Deixa sangrar no peito Uma saudade, um sonho
Um dia vou ver você Chegando num sorriso Pisando a areia branca Que é seu paraíso
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos Uma história para contar De um mundo tão distante Debaixo dos caracóis dos seus cabelos Um soluço e a vontade De ficar mais um instante.”
Buenos Aires, Argentina, uma tarde qualquer de dezembro de 2008
Remelentos e Mafaldinhas da USP bloquearam por quase duas horas uma das portarias da universidade e ameaçaram a maioria esmagadora que não aderiu à greve. A Tropa de Choque da Polícia Militar foi acionada para dispersar a manifestação e, claro, os estudantes profissionais (esse pessoal não trabalha, não?) acusaram a PM de truculência. Coitadinhos, tão democráticos esses meninos!
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é aprovado agora por 80% dos brasileiros, segundo dados da última pesquisa CNI/Ibope. Em março, esse índice era de 78%. O recorde do governo Lula até aqui foi alcançado em dezembro do ano passado, com 84% de aprovação.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a retração de 0,8% Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre deste ano, em relação ao último trimestre de 2008 – o que não configura exatamente uma “marolinha”, mas a chamada recessão técnica, com dois trimestres consecutivos de recuo econômico.
Comparado ao primeiro trimestre do ano passado, o PIB do Brasil caiu 1,8%. E, desde o fim do último ano, o país perdeu 700 mil empregos. Entretanto, Mantega diz que “foi um resultado melhor que o projetado”, e Lula garante que já há “sinais enormes de recuperação”. Ah, agora vai!
Mas não para por aí, não. Tem mais.
Acuada por graves denúncias de irregularidades em contratos e alvo de uma CPI boicotada pelos partidos da base governista no Congresso Nacional, a Petrobras criou um blog, “Fatos e Dados” (?), para se defender das acusações da “mídia golpista”. E também da “imprensa burguesa”, como não? Viva o Brasil!
Afe. Às vezes tudo é tão óbvio, tão previsível, tão chato, que dá uma preguiça danada até de acompanhar o noticário, quanto mais de escrevê-lo. Que desgosto, que mesmice, que mediocridade!
Ainda bem que já estou de folga, que meu feriadão já começou. Só volto no domingo à mesmice da política nacional. E depois dizem que novela do Maneco é que é sempre a mesma coisa! Blergh.
Mas sexta-feira tem música da semana, para distrair um pouco a cabeça em meio à bizarrice geral.
O ex-presidente Itamar Franco prepara seu retorno à vida política e partidária disposto a contribuir para uma derrota do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Ele, que deverá formalizar sua filiação ao PPS, cobrou dos partidos oposicionistas "rumo" e uma postura mais contundente. "Se a gente usa pelicas para combater o governo, é complicado."
A campanha presidencial de 2010 foi antecipada?
Eu diria que ela pode estar antecipada pelo governo, mas ela não está definida, porque enquanto nós não definirmos o processo até outubro, quando o Congresso pode tentar algumas modificações - eu espero que não, mas modificações fundamentais e constitucionais -, eu acho prematuro a gente falar que o processo está definido. Qual será seu papel em 2010?
É ter uma participação de ordem política, não eleitoral. Se eu me filiar ao PPS, o próprio entende que eu posso dar uma ajuda politicamente. Estou pronto.
Seu nome para compor uma chapa com Serra é uma tentativa de unir Minas e São Paulo, já que Aécio resiste à chapa puro-sangue?
O universo hoje que eu vislumbro é a candidatura do governador Aécio. Eu diria que não só Minas precisa de São Paulo, mas São Paulo também precisa de Minas.
As chances de Aécio ser indicado como candidato do PSDB?
Ele está no caminho certo de pedir prévias. Se dependesse da estrutura partidária do PSDB, não seria fácil. Mas eu entendo que ele pode ter sucesso.
Como analisa a oposição ao governo Lula?
Se a gente usa pelicas para combater o governo, é complicado. É como combater o governo no seu aspecto moral e individual. Mas no seu aspecto ideológico, no seu aspecto de princípios, no seu aspecto de realizações, a oposição tem de encontrar o seu rumo.
Como vê a candidatura de Dilma?
Não vai ser fácil combatê-la. Ela é bastante preparada. Por isso eu digo que a oposição brasileira precisa encontrar o seu discurso e estudar os problemas nacionais.
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Comentário do blogueiro: No dia 28 de abril, quando surgiram as primeiras especulações a respeito da possível filiação de Itamar Franco ao PPS, este blog publicou um post intitulado “Reforço notável” em que não escondia minha já antiga admiração pelo ex-presidente da República e ex-governador de Minas Gerais.
Entre outras coisas, este blogueiro escreveu que “Itamar Augusto Cautiero Franco foi o melhor presidente da República Federativa do Brasil entre todos aqueles que este blogueiro pôde acompanhar de perto – a saber: Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva”.
Lá pelas tantas, também disse que Itamar é “uma importante reserva moral da política nacional” e que, “caso se confirme a filiação ao PPS, terá sido o mais importante reforço do partido nos últimos anos”. Ele ainda não assinou a ficha de inscrição, o que deve acontecer nos próximos dias. Mas, sim, minha torcida valeu a pena: Itamar vem mesmo.
Apesar da evidente preferência por seu amigo Aécio Neves como candidato à Presidência em 2010 – ao contrário deste blogueiro, que apoia José Serra e sequer cogita a possibilidade de votar em Aécio caso seja ele o escolhido pelo PSDB –, Itamar tem muito a acrescentar não só ao PPS, mas às oposições.
Que os partidos desse bloco que se opõe a Lula e pretende chegar ao poder nas próximas eleições ouçam, no mínimo ouçam, o que tem a dizer Itamar Franco. Aos 78 anos, esse senhor pode ser a bússola que tanto tem faltado à oposição desde, sei lá... 2003?